Perto de cinco mil beatas de cigarros foram recolhidas esta manhã do areal da Praia da Figueirinha, numa iniciativa de sensibilização ambiental dirigida aos veraneantes, no âmbito do Programa Bandeira Azul 2016

 

Habituados a participar em programas de sensibilização ambiental, à chegada à Figueirinha, em Setúbal, os 13 jovens do Centro Jovem Tabor destacados para esta ação, não precisaram de ouvir muitas explicações para começar a limpar o areal.

Munidos de garrafas de plástico e luvas, os voluntários, com idades entre os 13 e os 17 anos, dividiram-se em pares e dirigiram-se a vários pontos da praia.

“Olha para a minha garrafa. Já viste? São muitas, e ainda não as contei. As pessoas não querem saber das beatas, porque é a coisa mais fácil de atirar para o chão”, ouve-se durante uma conversa entre dois jovens.

Uma hora depois regressam ao ponto de encontro. As garrafas, que entraram vazias no areal, estão agora praticamente cheias de beatas de cigarros. E esta nem será das praias mais problemáticas a este nível.

“A Praia da Figueirinha não é um local que possa servir de exemplo, porque não é das praias mais sujas. É notório que há aqui um cuidado de preservação ambiental e os utilizadores têm à sua disposição meios para evitar colocar beatas na areia”, salienta Manuel Nobre, da Associação Portugal Sem Beatas.

No que diz respeito ao total de beatas apanhadas, os últimos dados não dão contas oficiais, mas é possível fazer uma contabilização. “Posso dizer-lhe que tive o cuidado de fazer a contagem das beatas que enchem um garrafão de quatro litros e são 1636”, revela, o que, no caso de uma garrafa de litro e meio, corresponde a 614 beatas.

Sob o lema “Por um Mar sem Beatas!”, esta é a segunda ação de educação ambiental a decorrer na Praia da Figueirinha no âmbito da Bandeira Azul 2016, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, pela Associação Portuguesa do Lixo Marinho (APLM), pela Associação Portugal Sem Beatas, pela Tara Recuperável.Org e pela Brigada do Mar.

 

“É importante multiplicarmos este tipo de ações, que servem de limpeza e também de sensibilização. Antes, dizíamos que o lugar das beatas é no lixo, mas já não é assim. Agora, o importante é desviá-las dos aterros e proceder à sua destruição”, reforça Manuel Nobre.

Ainda que não seja nas praias que se encontrem mais beatas de cigarros, a maioria das ações de sensibilização para este tipo de lixo acontece durante a época balnear, porque é no areal que estes detritos são mais notórios.

“Parece que há uma aceitação social de que com as beatas é permitido fazer coisas que não se pode fazer com o restante lixo. Este tipo de lixo é depois arrastado para o mar e acaba a servir de alimento a muitos animais que vivem nos oceanos. É um problema muito grave”, adverte Paula Sobral, presidente da APLM.

No final do processo de limpeza do areal, os veraneantes presentes na Figueirinha foram convidados a participar numa campanha de selfies com a mensagem “Eu não deixo lixo na praia!”.

O programa “Por um Mar sem Beatas!” inclui ainda as exposições fotográficas “Valores da Arrábida”, dinamizada pela Associação de Municípios da Região de Setúbal e pela Câmara Municipal, e “Os mais procurados!”, pela Associação Portuguesa do Lixo Marinho e pela autarquia.

As mostras estão patentes até 18 de setembro na calçada da Figueirinha, praia que ostenta, pelo oitavo ano consecutivo, a Bandeira Azul, distinção que atesta a qualidade de excelência das zonas balneares.