A autora setubalense Helena de Sousa Freitas venceu o primeiro prémio na categoria de literatura no concurso de âmbito nacional “Mostra de Autores Desconhecidos”, promovido pela Inspecção-geral das Actividades Culturais (IGAC), como forma de desafiar as pessoas a residir ou a trabalhar em funções de apoio em bairros desfavorecidos a mostrarem, individualmente ou em grupo, os seus talentos. Helena de Sousa Freitas dedica este prémio a “todas as pessoas que, vivendo em bairros ditos carenciados, desfavorecidos, ou sociais”, tantas vezes “transbordam talento” e “não conseguem mostrá-lo”, porque “esses bairros apenas são notícia em caso de conflito ou crime”.

A autora, que está envolvida num projecto no bairro da  Bela Vista, em Setúbal, considera que a “divulgação somente de aspectos menos positivos dos bairros, apenas Helena Freitas_grandecontribui para aumentar o estigma sobre as zonas” e “sobre quem nelas reside”, tornando “difícil que esses talentos floresçam” e “revelem o que têm para dar”, nomeadamente “em termos culturais”. Helena de Sousa Freitas deixa uma apelo “às pessoas que sentem que têm, em si, uma arte que querem dar a conhecer”, que “avancem”, pois sublinha que “havendo ou não concursos”, hoje em dia  a “Internet é uma ferramenta excepcional”, que “mesmo não chegando ainda a todos”, já “está amplamente divulgada”, permitindo “um alcance potencialmente ilimitado”.

Em termos pessoais, a autora refere que “um prémio é sempre um estímulo para dar continuidade a algo que se quer fazer”, significando “um reconhecimento por parte de alguém que se identificou com aquilo que leu”, mesmo “não estando na situação do protagonista”. A também jornalista explica que o conto vencedor, “The piano man”, foi escrito com o objectivo de “fazer os leitores reflectirem sobre os tempos que se vive”, mas também para se “divertirem com as alusões às bandas sonoras das telenovelas” e ao “meio político”, acrescentando que acredita que os leitores “vão reconhecer nele muita coisa da actualidade, apesar do texto ser de 2005”.

Helena de Sousa Freitas adianta que “The piano man” conta a “história de um homem que, no dia em que o patrão o chama para o despedir”, começa a “emitir um som parecido ao da marcha fúnebre” e “de tanto supersticioso que o chefe é pensa que aquilo é um sinal de agoiro” e “decidiu adiar o despedimento do protagonista”. Para as pessoas interessadas o conto vai estar brevemente disponível online no site do IGAC www.autoresdesconhecidos.pt, informa a autora.