Os desafios que se colocam à imprensa regional e local e o papel da comunicação institucional estiveram em análise no 1.º Encontro de Profissionais de Comunicação da Península de Setúbal e do Litoral Alentejano

 

A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal em parceria com o Diário da Região, contou com a presença de perto de uma centena de profissionais de comunicação de diversos órgãos de comunicação social, de gabinetes de comunicação de instituições e empresas e de agências de comunicação.

Segundo a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, que abriu os trabalhos, este encontro, a decorrer na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, proporciona aos profissionais de comunicação da região “um espaço de apresentação de ideias e debate sobre os temas que os preocupam”.

 

Maria das Dores Meira lembrou que as matérias relacionadas com a comunicação são, nas autarquias, “raramente consensuais” e “muito frequentemente alvo de intensas polémicas políticas e partidárias”.

No entanto, acredita que “tais divergências” se encontram, hoje, “quase ultrapassadas, mais bem compreendido que está o papel determinante da apresentação de contas às populações”, não apenas do que se gasta, mas também “as contas do que se faz, do que se pode fazer ou do que é manifestamente impossível fazer em determinado prazo”.

 

Maria das Dores Meira evidenciou que, ao longo de mais de quarenta anos de poder local democrático, as autarquias, além de investirem em saneamento básico, estradas, rotundas, pavilhões desportivos, centros culturais, desporto, cultura, inclusão social, escolas e educação, apostaram na comunicação com as populações, “criando cidadania, criando cidadãos conscientes do que querem para as suas cidades, cidadãos informados e que querem informar”.

A autarca sublinhou o esforço atual em “processos de comunicação mais avançados”, os“serviços de informação e relações públicas 2.0”, numa alusão aos processos de participação cidadã, “nos quais se promove uma ligação direta com os munícipes e se incentiva todos a participarem”.

 

Este é, salientou, “essencialmente, um processo de comunicação com enorme significado político e que representa importante aperfeiçoamento da democracia representativa”.

Ainda no que diz respeito à comunicação institucional nas autarquias, o assessor de imprensa da Câmara Municipal de Setúbal, Paulo Anjos, assinalou a importância dos instrumentos ao dispor das autarquias para “chegar cada vez melhor aos munícipes”.

O responsável destacou o papel dos profissionais de comunicação dos respetivos serviços municipais, muitas vezes acusados de “apenas fazerem propaganda”, entre outras críticas.

Alvo de críticas idênticas são os jornais municipais, o que, para Paulo Anjos, não faz sentido uma vez que se constituem como “essenciais para disponibilizar uma boa informação aos munícipes”.

O assessor de imprensa salientou que o jornal municipal “pode e deve ter informação rigorosa, não abusando do culto da personalidade dos autarcas e com respeito pelas regras jornalísticas”.

O tema das assessorias de imprensa foi abordado igualmente por Paulo Anjos, para quem as assessorias internas se assumem como “as mais importantes, porque são capazes de, com um olhar profissional, disponibilizar, sempre que possível e nos tempos adequados, a informação que importa nos melhores formatos e com total compreensão das necessidades dos jornalistas”.

Para o assessor de imprensa, este é “um pilar da moderna comunicação institucional das autarquias, seja ela pequena ou grande”.

Já o diretor do jornal Diário da Região, Francisco Alves Rito, traçou um panorama da situação atual da imprensa local e regional, que, no seu entender, se tem vindo a “agudizar”, e analisou os desafios que se colocam no futuro.

O primeiro desafio é, para o responsável, o da sobrevivência dos órgãos de comunicação, que só será possível se forem capazes de “se valorizarem e fazerem ver à comunidade a sua importância na missão de informar”.

A qualidade ética e técnica foi outro dos aspetos enumerados, bem como a adaptação aos novos meios tecnológicos.

No entanto, deixou um aviso: “Não se iludam que a internet resolve os problemas da comunicação social. Mais depressa os agravam do que os resolve.”

O responsável revelou que o Diário da Região está a preparar um projeto, a lançar talvez ainda este mês, tendo como base a coexistência entre os jornais de papel e as edições online, que será um novo site com aposta no vídeo para “chegar a novos públicos, além dos que já leem as edições em papel”.

Em face das dificuldades que a comunicação regional atravessa, o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, outro dos participantes no período da manhã do encontro, indicou não entender “como é que o Estado não tem 40 milhões de euros para investir nos órgãos de comunicação social, quando dá, por outro lado, dinheiro aos bancos”.

 

O responsável defendeu que em Portugal devia apostar-se mais na cooperação entre órgãos de comunicação, como acontece noutros países europeus, no que deu o exemplo de Espanha, país onde “os grupos de comunicação regional gozam de boa saúde e até já avançam para a compra de grandes órgãos de comunicação nacionais”.

Em Portugal, existem perto de seiscentos órgãos de comunicação regionais e apenas sete grupos de comunicação, paradigma que para João Palmeiro tem de mudar.

O 1.º Encontro dos Profissionais de Comunicação da Península de Setúbal e do Litoral Alentejano, organizado com o apoio do Turismo de Portugal, da Escola de Hotelaria e Turismo e do Instituto Politécnico de Setúbal, continua da parte da tarde e tem encerramento previsto perto das 18h00.