A abertura da Lagoa de Santo André ao mar ocorreu na presença de centenas de curiosos. Isabel Pinheiro, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade responsável pelo processo, manifestou ainda o desejo de que “o canal se mantenha aberto durante bastante tempo” e sublinhou que a preparação da abertura da lagoa ao mar começou “no início de janeiro”.

Abertura da Lagoa de Santo André ao mar_1A responsável da APA assegura que a operação “correu bem, conforme programado”, realçando o importante “trabalho de parceria feito com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)”. Isabel Pinheiro explica que “a escolha do dia deveu-se às marés favoráveis”, em que “a maré alta ocorre no período diurno, que é essencial para que a operação corra bem”, e há também “uma diferença considerável entre a maré cheia e a maré vazia, que favorece o esvaziamento”, e depois, por conseguinte, “o reenchimento”, estando “as condições climáticas também favoráveis”.

Já a vice-presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém destaca “uma tradição que permite a renovação da lagoa, da sua flora e da sua fauna, que as pessoas vêm ver todos os anos”. Margarida Santos justifica o interesse de tantas pessoas pelo facto de se tratar de “um espetáculo que acaba por ser sempre diferente”, porque “a natureza vai mudando”, perspetivando ainda que “nos próximos dias vão continuar a aparecer aqui muitas pessoas para ver como evolui esta abertura de 2015”.

Entre as centenas de pessoas que não quiseram perder a operação esteve António Gonçalves, de 81 anos, que revela que “acompanha a abertura da lagoa ao mar desde os seus oito ou dez anos”. Este pescador residente nas proximidades de Deixa-o-Resto, na freguesia de Santo André, recorda os tempos em que “a abertura era feita com enxadas e pás, demorando muitos dias”, sendo necessário entre “100 a 200 homens para trabalhar”.

A abertura da Lagoa de Santo André é feita todos os anos numa altura sempre próxima do equinócio da primavera, um processo que está a cargo da Agência Portuguesa do Ambiente e que outrora foi da responsabilidade da Câmara Municipal de Santiago do Cacém. A abertura desta lagoa ao mar visa a renovação da água da lagoa, a limpeza e lavagem do seu fundo e a entrada de algumas espécies piscícolas, com destaque para os alevins e enguias.

O processo que antes era feito pela força de “braços e bestas” foi substituído já há vários anos por máquinas. Também na tarde do dia 19 de março, no âmbito do novo ciclo de eventos da Trienal no Alentejo (TnA), os artistas André Banha e Orlando Franco instalaram, em pleno areal, o “Observatório da espera, da luz e do tempo”, que vai estar no local até ao dia sete de abril.