O PS ganhou as Eleições Legislativas de domingo em todos os concelhos do distrito de Setúbal, tendo obtido um total de 34,31% dos votos (contra os 27,74% de 2011) e eleito sete deputados, mais dois que em 2011.

Ainda que, nas Legislativas de 2011, o PSD e o CDS-PP não tenham concorrido em coligação, mas sim separadamente, somando as percentagens de votos que os dois partidos obtiveram nesse acto eleitoral, verifica-se uma redução abrupta da votação nestes partidos, o que se traduz na queda da Coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) para segunda força política mais votada no distrito, com 22,59% de votos, contra os 36,67% de 2011, que passa de sete para cinco deputados. A CDU foi a terceira força mais votada no distrito, com 18,8% dos votos (19,9% em 2011), mantendo o número de deputados (três), apesar da perda de votos. O BE, quarta força mais votada na região, aumentou a votação de 6,73% para 13,05%, ganhando mais um deputado, num total de dois. Recorde-se que o número total de deputados pelo Círculo Eleitoral de Setúbal passou de 17 para 18.

As restantes 11 forças políticas que concorreram a este acto eleitoral obtiveram percentagens de votos abaixo dos 2%, não conseguindo eleger qualquer deputado pelo distrito. A abstenção aumentou ligeiramente, passando de 40,65% para 41,67%.


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Os 18 deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Setúbal

Distrito reflecte tendência nacional

Analisando os resultados ao nível de cada concelho, 11 dos 13 concelhos do distrito passaram do PSD/CDS-PP para o PS, nomeadamente, Alcochete, Almada, Barreiro, Grândola, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Sines. Os concelhos onde a queda do PSD/CDS-PP foi maior foram Montijo (43,93% de votos em 2011 e 27,84% em 2015), Palmela (38,74% em 2011 e 23,7% em 2015) e Barreiro (30,17% em 2011 e 15,75% em 2015). Alcácer do Sal foi o único concelho em que o PS ganhou tanto em 2011 como em 2015. Em Santiago do Cacém, a CDU venceu em 2011 mas, em 2015, foi o PS que conquistou a maior percentagem de votos.

Num distrito onde a CDU tem, tradicionalmente, uma forte expressão, sobretudo em Eleições Autárquicas, a tendência nestas Legislativas foi para uma diminuição da percentagem de votos em todos os concelhos. O concelho onde a perda de votos foi maior foi Santiago do Cacém, onde, como já foi dito, a CDU tinha ganho em 2011, com 32,3% dos votos e, em 2015, ficou pelos 21,62%. Nos restantes concelhos, a diminuição de votos na CDU foi de até 3%.

Em sentido contrário, o BE aumentou a votação em todos os concelhos, tendo mais do que duplicado a percentagem de votos em alguns deles, com destaque para Santiago do Cacém, onde passou de 4,78% de votos em 2011 para 12,64% em 2015.

Relativamente à abstenção, ainda que de forma ligeira, aumentou em nove concelhos (Alcochete, Grândola, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Sines).


passosPassos Coelho vai dizer a Cavaco que está disponível para formar governo

O presidente do PSD disse ser “inequívoco” que estas eleições mostraram a coligação PaF como “a força politica vencedora”. Assegurou que vai “fazer tudo” para “dar estabilidade ás politicas que precisamos nos próximos quatro anos para continuar a a crescer e retomar o rendimento dos portugueses”.

O líder social democrata afirmou que PSD e CDS vão reunir os seus órgãos partidários para celebrar um acordo de Governo e “comunicar ao Presidente da República que a força politica mais votada está disponível para formar o governo”. E Acrescentou: “Seria estranho que quem ganhasse as eleições não pudesse governar”.

portasPaulo Portas sublinha que portugueses quiseram claramente dar governo a PSD e CDS

“Vencemos as eleições legislativas com cerca de 39% dos votos”, disse Paulo Portas considerando que se trata de um resultado “impressivo se levarmos em conta o que tivemos de fazer nos últimos quatro anos”. O presidente do CDS-PP Agradeceu aos portugueses a oportunidade de governar quando Portugal está em crescimento. Conclui que “os portugueses quiseram, com total clareza, que o PSD e o CDS sejam governo nos próximos quatro anos” mas acrescentou que sabem entender o facto de os eleitores não terem dado maioria absoluta. “Não é possível transformar derrota nas urnas numa espécie de vitória na secretaria”, avisou o líder centrista.

costaAntónio Costa diz que o ónus de formar governo cabe à coligação Paf

O líder do PS atribuiu á coligação PSD-CDS o ónus de constituir um governo. Mas avisou que não viabiliza um governo sem ter um Governo para viabilizar.

“É claro que há uma expressiva maioria de portugueses que votou para que houvesse uma mudança de políticas. Infelizmente essa vontade não se traduziu ainda numa alternativa”, disse António Costa.

O secretário-geral garantiu que “o PS não contribuirá para maiorias negativas” e acrescentou “manifestamente não me demito”. Quanto a possíveis alianças com outros partidos, Costa lembrou que pediu maioria absoluta precisamente para que o PS pudesse ser alternativa. Questionado sobre o orçamento de Estado, o líder socialista disse que a pergunta “é extemporânea” e recusou-se a esclarecer se mantem intenção de não viabilizar.


sousaJerónimo de Sousa destaca forte castigo a PSD/CDS e diz que PS tem condições para formar governo

No comentário aos resultados eleitorais, o líder da Coligação Democrática Unitária (CDU) sublinhou que a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) foi “fortemente” castigada pelo povo português nas eleições e defendeu que o PS tem condições para formar Governo.

“O resultado de PSD e CDS, independentemente de ter sido a coligação mais votada, expressa uma clara condenação face aos quatro anos de governo”, afirmou Jerónimo de Sousa, na sede da candidatura, em Lisboa, enaltecendo a “luta e o combate trabalhadores, do povo e da CDU”.

Segundo o secretário-geral comunista, “a ilação mais importante” a retirar da noite eleitoral é a “confirmada derrota dos projectos de PSD e CDS”, do “quero, posso e mando”, do “assalto aos rendimentos”.

“Com este quadro, o PS tem condições para formar Governo, mas têm de perguntar ao PS”, declarou ainda Jerónimo de Sousa.

catCatarina Martins avisa que chumbará governo PSD-CDS

A porta-voz do BE, Catarina Martins, avisou logo ontem que “se a coligação de direita não tiver maioria não será pelo Bloco de Esquerda que conseguirá formar Governo”, garantindo que vai rejeitar no Parlamento essa possibilidade de governo minoritário.

“A confirmar-se que a direita não tem a maioria, se o Presidente da República, por filiação partidária ou pouca atenção aos votos, convidar a direita para um Governo, saiba que o Bloco de Esquerda, como é um partido de palavra, vai rejeitar no Parlamento essa possibilidade e o programa de um Governo de direita”, disse hoje Catarina Martins na sede do BE da noite eleitoral, em Lisboa.

A porta-voz do BE afirmou que o partido teve “hoje o seu melhor resultado de sempre numas eleições”, com “mais votos, mais mandatos e mais força do que nunca”, deixando um aviso claro: “se a coligação de direita não tiver maioria, fique bem claro que não será pelo BE que conseguirá formar Governo”.

“Uma coligação de direita minoritária não será Governo em Portugal se a democracia não lhe der maioria. Pelo BE não será certamente”, disse, esperando agora a resposta dos outros partidos já que a do BE é clara.


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Distrito

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Álcacer do Sal

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Alcochete

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Almada

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Barreiro

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Grândola

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Montijo

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Palmela

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Santiago do Cacém

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Seixal

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Sesimbra

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Setúbal
Fonte: Ministério da Administração Interna