Nascida em Setúbal, cedo descobriu o fado nos palcos do teatro Luísa Todi, que atualmente é fórum municipal. Cristiana Águas pretende continuar a ser feliz no que faz de uma forma desprendida e autêntica”. A cantora vai dar um concerto, no próximo sábado, no Fórum Municipal Luísa Todi, tendo preparado algumas surpresas para o público.

Cristiana Águas

SnR- O que espera do concerto do próximo dia 27 de junho, no Fórum Municipal Luísa Todi?

CA- Espero que o público sadino aprecie a música desta sadina fadista, que tem algumas surpresas preparadas para este concerto especial. Visto que irei voltar a reviver momentos inesquecíveis, neste palco que também me acolheu e viu nascer pela primeira vez aos nove e depois aos onze anos de idade, cantando o “Foi Deus”.

SnR- O quê que as pessoas podem esperar deste concerto?

CA- Espero eu que passem bons momentos na nossa companhia, minha e de meus músicos e se deixem levar.

 SnR- Considera que as  pessoas devem ir assistir ao concerto porque…irão passar momentos de diferentes emoções.

“E ainda preparei algumas surpresas…Terei uma convidada especial, que muito respeito e admiro enquanto pessoa e artista setubalense”.

SnR-  O quê que este concerto vai ter de original?

CA-Para além de apresentar todos os temas do meu disco, também acrescentei outras músicas ao repertório deste concerto. E ainda preparei algumas surpresas…Terei uma convidada especial, que muito respeito e admiro enquanto pessoa e artista setubalense!!

 SnR- Sente que vai estar a atuar em casa?

CA-Verdade, foi aqui que nasci! Infelizmente não cresci de forma permanentemente física, mas nas muitas vezes que vinha a esta casa, senti que crescia interiormente, também na minha arte.

 SnR- Qual a mensagem que quer deixar aos setubalenses?

CA-Que venham este sábado até ao Fórum Municipal Luisa Todi, numa partilha de nostalgia e felicidade.

SnR-  Qual o seu próximo desafio?

CA-Tenho concertos agendados para auditórios de nosso Portugal e também para o Canadá, Áustria e Brasil. Mas o verdadeiro desafio é continuar a ser feliz no que faço de uma forma desprendida e autêntica.

“Setúbal tem muita cultura musical. Penso que há sempre como se fazer mais pela divulgação de novos valores da música”.

 SnR- Setúbal está nas suas músicas?

CA-Setúbal é a minha música. Há muito mar neste disco, e não foi pensado, ou idealizado assim ser…aconteceu. Os poemas foram chegando às nossas mãos, minhas e do produtor musical e nem nos apercebemos que cantaria o rio de que nasci e aquele em que tenho vivido. E enquanto apadrinhava uma marcha de minha terra natal, pedi ao cantautor e produtor amigo Pierre que compusesse um hino em homenagem à terra que me viu nascer. E assim nasceu “Alma Sadina!”

 SnR- Enquanto setubalense o que acha que ainda falta ser feito a nível da música no distrito?

CA- Setúbal tem muita cultura musical. Penso que há sempre como se fazer mais pela divulgação de novos valores da música. Criando iniciativas, palestras, dando aulas de música de forma gratuita a crianças, cujas famílias não tenham predisposição financeira para o fazer.

“Quando canto, entro num outro estado de alma”.

 SnR- No quê que se inspira para cantar e elaborar as suas letras?

CA- Eu não componho, se bem que tenho uns desabafos só meus, guardados na gaveta. Mas a arte da escrita só pertence aos que têm o dom de exprimir seus pensamentos e sentimentos para o papel. Quisera eu!

Por isso, quando canto um poema é como se fosse meu, como se tivesse saído de mim e fosse a minha história. Sem pensar em nada, apenas numa entrega à interpretação de sua história, deixando passar a mensagem de cada frase, de cada palavra, a quem a ouve.

SnR- O que significa para si a cantar?

CA- Quando canto, entro num outro estado de alma. Como se fosse um mundo à parte, paralelo ao nosso, não menos real. Sem pensar em mais nada, deixo-me levar pela autenticidade do momento.

SnR- Qual o estilo de música com que mais se identifica?

CA- Fado e jazz.

 SnR- Com que idade começou a cantar?

CA- Desde que me lembro da minha existência, que já gostava de cantar. A primeira vez que cantei fado em público, curiosamente  foi no palco que hoje me recebe novamente, o teatro Luísa Todi, que hoje é fórum. Já o havia feito aos meus nove anos de idade, mas foi aos onze, que me descobri no fado. Desde então o fado é parte da minha vida. Lembro-me com alguma nostalgia do momento em que o fado me foi apresentado, e senti logo que era parte de mim, como se já o tivesse ouvido e cantado.