“O curso foi desenhado a pensar na realidade da região”

“O curso foi desenhado a pensar na realidade da região”

O curso de Engenharia de Petróleos do Piaget de Santo André é, sobretudo, “procurado pelos empregados das refinarias da região, que tentam obter uma mais-valia para poderem subir na carreira”. O coordenador, Paulo Carmelo, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, explica que “o facto de ser um curso único e diferente, que traz perspetivas de emprego, tanto a nível regional e nacional como também internacional”, faz com que um dos objetivos seja o de “ter mais alunos de outras regiões do país”. Desta forma, o Piaget está a fazer “uma oferta de alojamento para pessoas de outras áreas geográficas”, além da atribuição de livros, “para que os alunos possam dispor, com facilidade, de material de estudo”.

“Setúbal na Rede” – Quem procura o curso de Engenharia de Petróleos?

Paulo Carmelo – O curso é, sobretudo, procurado pelos empregados das refinarias da região, que tentam obter uma mais-valia para poderem subir na carreira. Por outro lado, recebemos também alunos que saem do secundário e se interessam por esta área. Portanto, este curso, que abriu há quatro anos, foi também desenhado a pensar na realidade empresarial da região, de modo a absorver todo o potencial que aqui temos.

SR – Como é a experiência de dar formação inicial a pessoas que já estão a trabalhar na área?

PC – São pessoas que já têm conhecimentos sobre a área e sabem como funciona todo o processo, mas vêm também com alguns vícios e, normalmente, não dominam a parte teórica do curso. A experiência que os estudantes trazem da profissão é um aspeto bastante positivo e nós aqui tentamos dar o conhecimento adicional de que necessitam. Portanto, temos também professores que são funcionários das refinarias e tentam sempre complementar a parte prática com a teórica, o que é bastante interessante.

SR – Isso torna o ensino com um perfil menos académico do que aquilo que é habitual nas instituições universitárias?

PC – Exatamente. É um ensino único na medida em que há essa partilha de experiências. Normalmente, os docentes trazem casos práticos da sua vida profissional e na explicação da parte teórica do processo tentam sempre introduzir esses exemplos como forma de esclarecimento.

SR – O que motiva os que não têm essa experiência profissional a inscreverem-se num curso destes?

PC – O facto de ser um curso único e diferente, que traz perspetivas de emprego, tanto a nível regional e nacional como também internacional. Na área do petróleo temos um mercado de trabalho muito abrangente, pois estamos a falar de países como Brasil e Angola, por exemplo. Por outro lado, o próprio nome do curso acaba por cativar os alunos, porque desperta curiosidade. Ao longo da formação, gerimos química de base, mas numa vertente muito própria de refinação de petróleo e petroquímica, pelo que os nossos docentes são engenheiros nas empresas que atuam nessa área.

SR – É um curso que implica, por exemplo, conhecimentos daquelas disciplinas de que os alunos não gostam?

PC – Sim, mas nós aqui não damos uma matéria tão teórica, como normalmente acontece nas outras universidades, ou seja, procuramos ensinar tudo o que é essencial e depois viramos essa abordagem para os casos práticos. Desta forma, tentamos sempre colmatar as lacunas que os alunos trazem com a componente prática do curso e fazemos com que percebam que os conhecimentos que aqui adquirem são muito importantes para o futuro deles.

SR – Essa parte prática é desenvolvida no próprio instituto?

PC – Temos um laboratório de química e outro de física, mas os estudantes também fazem visitas de estudo às empresas e vêem, na prática, todo o método de trabalho. Os docentes que trabalham nos locais que os alunos visitam, normalmente, explicam-lhes os processos de um modo industrial e tentam sempre integrar todo o conhecimento teórico que eles adquirem aqui.

SR – Há uma relação próxima entre o instituto e as empresas?

PC – Há essa relação, mas podia ser mais próxima, pois as empresas não têm uma abertura total. No entanto, isso tem que ver com o facto de ser uma atividade específica e nós não podemos lá ir sempre que queremos. São cursos muito práticos, em que o aluno tem que saber a parte teórica e tentar colmatar com a prática, pelo que tentamos sempre manter uma relação próxima entre o docente e o discente.

SR – Sendo um curso único no país, são procurados por pessoas de origens geográficas distintas?

PC – Atualmente, somos procurados por alunos angolanos, por exemplo, que querem acabar aqui a sua licenciatura e vêm de propósito para isso, porque acham que é uma mais-valia concluir o curso na Europa. Alguns alunos do UniPiaget de Angola vêm a Portugal fazer estágios de final de curso, que têm duração de três meses, e quando acabam a licenciatura voltam ao seu país. Para esse efeito, temos como parceiros a Galp e a Repsol.

Temos também estudantes de Leiria e de outras regiões, mas não são casos significativos, porque, muitas vezes, não há condições financeiras para isso. No entanto, quem gosta desta área e vê que tem saídas profissionais, normalmente, aposta na formação. Mas um dos grandes objetivos da escola é ter mais alunos de outras regiões do país, uma vez que é um curso único a nível nacional. Desta forma, com vista a cativar alunos e combater o abandono escolar, temos, neste primeiro ano, uma oferta de alojamento para pessoas de outras áreas geográficas, mas temos também, para os habitantes desta região, uma atribuição de livros, para que os alunos possam dispor, com facilidade, de material de estudo.

SR – Em termos de empregabilidade, é uma área que vale a pena investir?

PC – Penso que sim, não só em Portugal como também no estrangeiro, porque é uma área que tem muita procura neste momento. Inclusive, muitos dos alunos que saíram daqui estão empregados e melhoraram a sua vida profissional, outros encontram-se em estágios ainda. Mas, de uma maneira geral, temos casos de sucesso.

Apesar de ser um curso de refinação, todos os nossos alunos têm uma vertente bastante sólida em Engenharia Química e de Processos. Portanto, como os alunos têm essa base muito bem sustentada, podem enveredar por outras áreas, porque as saídas profissionais são transversais. Dado que o plano de estudos foi alterado, incluímos também o estágio, pois achamos que é importante para complementar a formação dos alunos, pelo que pode ser feito em Portugal ou no estrangeiro. No entanto, pensando naqueles que trabalham e que, possivelmente, não terão tempo disponível para fazer estágio, temos outra opção que se prende com a realização de um projeto de final de curso. Portanto, o curso tem um grande potencial que é preciso explorar e divulgar.