“Os nossos diplomados têm a empregabilidade garantida”

“Os nossos diplomados têm a empregabilidade garantida”“Esta é uma área com empregabilidade, bom salário e muitas oportunidades para progredir”, pois “os sistemas automáticos de qualquer indústria têm sempre sistemas de medição de variáveis” que precisa da “intervenção de um profissional desta área para a sua instalação e manutenção”. O coordenador do curso Eletrónica, Automação e Instrumentação, na vertente de Medida e Controlo, da Escola Tecnológica do Litoral Alentejano (ETLA) explica que este é “um curso versátil porque tem muitos saberes envolvidos” e, por isso, “os alunos acabam por ter um grande número de saídas profissionais”. João Ganhão, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, garante que os técnicos formados na ETLA “são os mais procurados nesta área” e realça o facto de a escola estar inserida numa unidade industrial, o que “faz com que os alunos tenham um contacto frequente com a indústria”.
“Setúbal na Rede” – Para que serve um curso de Eletrónica, Automação e Instrumentação, vertente de Medida e Controlo?

João Ganhão – Este curso tem muita saída profissional, porque é muito versátil e abrange a área da instrumentação de medida e de controlo, que é fundamental a todo o tipo de indústria. Os sistemas automáticos de qualquer indústria têm sempre sistemas de medição de variáveis, seja a pressão, a temperatura, o nível ou a velocidade. O objetivo é manter essas variáveis num determinado valor ou entre limites, pois é isso que faz com que se produza com a qualidade que se pretende. Portanto, um equipamento destes precisa sempre da intervenção de um profissional desta área para a sua instalação e manutenção. Desta forma, um técnico formado neste curso pode fazer o estudo do problema, selecionar o instrumento mais adequado e fazer a sua correta instalação, calibração e afinação, mas também a sua manutenção. É um processo faseado, mas, enquanto a fábrica estiver em operação, será sempre necessária essa intervenção.

SR – Estamos a falar de equipamentos importados ou também são produzidos em Portugal?

JG – Em Portugal, não produzimos esses equipamentos, mas a fase de construção é apenas uma pequena parte, pois, tendo em conta o leque de ofertas do mercado, é necessário saber qual é o equipamento mais indicado para cada aplicação e este processo é bastante trabalhoso. Por outro lado, a afinação e verificação do equipamento devem ser feitas diversas vezes, de modo a mantê-lo a funcionar corretamente.

SR – Que tipo de conhecimentos técnicos necessita um profissional desta área?

JG – A instrumentação é uma área muito complicada porque envolve eletricidade, mecânica, química e física. É um curso versátil porque tem muitos saberes envolvidos e, por isso, os alunos acabam por ter um grande número de saídas profissionais. Por um lado, é um curso versátil e exigente, mas, por outro, os alunos não têm de ser peritos em cada uma destas áreas, pois precisam apenas de ter conhecimentos base para perceber o funcionamento do instrumento, identificar qualquer problema e resolvê-lo. No entanto, como em qualquer curso profissional, há aqui uma grande componente teórica envolvida, sobretudo nas áreas da física e química, pois os estudantes precisam dessas bases para conseguirem trabalhar com os equipamentos que necessitam desses conhecimentos. A matemática que ministramos em Eletrónica, Automação e Instrumentação é igual àquela que se ensina na maioria dos cursos.

SR – Que tipo de pessoas procura este curso?

JG – A maior parte das pessoas não sabe o que é a instrumentação. No entanto, nesta zona, como já há muita gente a trabalhar na indústria e que, portanto, tem conhecimentos na área, o nome já não é tão estranho. Os estudantes que nos procuram são essencialmente amigos de diplomados nossos, mas somos também procurados por filhos de pessoas que trabalham no tecido empresarial de Sines, que sabem que esta é uma área com empregabilidade, bom salário e muitas oportunidades para progredir. Na maioria dos casos, os nossos alunos são oriundos desta região, mas temos alguns que vieram de outras áreas geográficas, dentro e fora do país. Neste momento, temos, por exemplo, estudantes de São Tomé e Angola.

SR – Vêm bem preparados e trazem os conhecimentos necessários para ter bons resultados?

JG – Temos cada vez mais dificuldades nessa área, principalmente a nível da matemática. Desta forma, tentamos sempre fazer uma revisão ou dar as bases da física, química e matemática antes de falarmos, propriamente, da área de instrumentação ou automação. Ou seja, temos estratégias para tentar ultrapassar essas dificuldades e muito do nosso trabalho passa por aí, porque se um aluno não conclui um módulo, nós temos que solucionar o problema e ajudá-lo a atingir os objetivos pretendidos.

SR – E como avalia a taxa de sucesso?

JG – Nós achamos que a taxa de sucesso é baixa, mas tentamos sempre alterar essa situação. Temos um grau de exigência mínimo que não podemos baixar porque, felizmente, a nossa escola é reconhecida pela sua qualidade e os nossos técnicos são os mais procurados nesta área. Portanto, não queremos perder isso, porque é também por essa razão que os alunos escolhem a nossa instituição. Se facilitássemos, poderíamos, naturalmente, ter uma taxa de sucesso maior, mas estaríamos a formar profissionais pouco úteis e esse não é, de todo, o nosso objetivo.

SR – E onde é que os diplomados têm a empregabilidade garantida?

JG – Em todo o lado. E arrisco a dizer que, com este curso, os nossos diplomados têm a empregabilidade garantida em todo o mundo. Penso que continuamos a ser a única escola com a vertente de Medida e Controlo, daí que a procura também seja elevada. Tenho conhecimento de que os nossos alunos estão espalhados por todo o país e alguns estão a trabalhar no exterior.

SR – Quem aqui estuda, naturalmente, tem a expectativa de trabalhar no complexo industrial em que a escola está inserida. A maioria fica por aqui ou acaba por ter que procurar outras soluções?

JG – A grande maioria fica aqui. Por sua vez, os que têm um espírito mais aventureiro, normalmente, aceitam propostas para sair do país. No entanto, à partida, por aqui há emprego para os nossos diplomados, porque, muitas vezes, eles escolhem a vertente de Operação, que é também muito boa em termos de empregabilidade, pois há muita procura nessa área. Não é exatamente a área para que estudaram, mas um operador de unidade industrial que tenha conhecimentos neste sector é um excelente profissional pois é a pessoa que conduz a fábrica.

SR – É um curso que requer muito investimento?

JG – Este curso envolve tecnologias muito caras, quer em termos laboratoriais quer para os projetos de final de curso. No entanto, temos uma grande vantagem, pois, como as nossas entidades promotoras são também as empregadoras, acabam por nos facilitar a aquisição de muitos equipamentos que são substituídos nas empresas. Esta parceria faz com que as nossas oficinas estejam muito bem equipadas e há, inclusivamente, marcas que nos fazem ofertas de equipamentos, pois era impossível comprar todo o material que temos.

SR – O curso também implica períodos de estágio nas empresas?

JG – Sim, inclui. Neste momento, os alunos fazem, para além do projeto de final de curso, um estágio de um mês, em que permanecem numa empresa acompanhados por um técnico da área.

SR – Que balanço se pode fazer desses estágios?

JG – O feedback é sempre muito bom. Por um lado, penso que tem que ver com o facto de termos professores da área técnica com um conhecimento muito bom daquilo que se passa na indústria. Por outro lado, estamos inseridos numa unidade industrial e isso faz com que os alunos tenham um contacto frequente com a indústria, pelo que vão muito bem preparados para os estágios. De um modo geral, são pessoas que têm uma grande apetência, que vêm na expectativa de saber fazer e não só para obter conhecimentos. Desta forma, quando chegam às empresas diferenciam-se dos alunos do ensino regular, pois já têm o conhecimento e integram-se muito bem. Normalmente, as empresas reconhecem o grau de conhecimento técnico dos nossos formandos e mostram disponibilidade para os admitir, pelo que a imagem global da ETLA é bastante valorizada.

SR – A idade e alguma imaturidade associada não constitui um problema?

JG – No primeiro ano do curso, a maioria alunos acha que a escola não é para ser levada com seriedade, mas a partir do momento em que entram em estágio ou terminam o curso, mudam completamente e ganham uma enorme maturidade. Isso acontece porque eles percebem que têm que ter uma postura diferente e, como querem dar um rumo às suas vidas, acabam por mostrar responsabilidade e empenho, e transfiguram-se radicalmente.

SR – Que argumento utilizaria para cativar novos alunos?

JG – Em primeiro lugar, o facto de ser um curso profissional já é um argumento muito importante. É também um curso de nível quatro, de dupla certificação, ou seja, além de conferir a equivalência ao 12.º ano, ensina-lhes também uma profissão. Por outro lado, é um curso muito motivante, porque garante alguma empregabilidade e um bom salário, além de os alunos fazerem coisas de que gostam, como, por exemplo, programar máquinas e robots. Desta forma, sabem que vão fazer um trabalho limpo e bem remunerado.

SR – E é um trabalho com hipóteses de progressão?

JG – Sim, claramente. Os formandos podem optar por uma das áreas abrangidas pela instrumentação. É também importante referir que a nossa escola está certificada em qualidade, o que nos obriga a abordar uma vertente de melhoria contínua, pelo que estamos muito atentos à progressão dos alunos e à forma como eles vão fazendo os módulos, por exemplo. Temos um gabinete de apoio psicopedagógico que dá uma ajuda no desenvolvimento dos alunos e os acompanha ao longo do curso. Os formandos são um elemento muito importante na produtividade das empresas, são pessoas preparadas para este tipo de função e, muitas vezes, quando as organizações fazem workshopssolicitam todos os saberes práticos e teóricos que eles têm.

SR – A formação superior é também uma hipótese para o percurso dos formandos?

JG – Este curso dá a equivalência ao 12.º ano, por isso os nossos alunos podem candidatar-se a qualquer instituto de ensino superior e, normalmente, destacam-se porque vão bem preparados na componente técnica. Muitos deles optam por continuar os estudos, concluem as licenciaturas e conseguem subir lugares hierárquicos e é agradável ver que são reconhecidos pelo trabalho que desenvolveram aqui. No entanto, alguns alunos não prosseguem os estudos porque estão aliciados pelo emprego e preferem ingressar rapidamente no mercado de trabalho.

http://www.etla.pt/