Inês Bento, coordenadora dos cursos de aprendizagem da Solisform

“O ensino dual está cada vez mais na moda”

“O ensino dual está cada vez mais na moda”Com a crise económica, tornou-se mais urgente capacitar as pessoas para o mercado de trabalho, onde é “necessário que haja mão-de-obra qualificada” e “já não há tempo para um percurso que passe primeiro pela faculdade”, o que não quer dizer que fazer os estudos através da via de aprendizagem impeça o prosseguimento de estudos, pois até pode ser um incentivo, “irem para o ensino superior já com alguns conhecimentos técnicos”. A coordenadora dos cursos de aprendizagem da Solisform garante que os alunos vão assim “muito mais orientados, mais focados, porque já sabem o que querem”. E cada vez a escola é procurada por jovens que terminam o nono ano e querem “ter uma profissão”. Em entrevista ao “Setúbal na Rede”, Inês Bento realça o “ensino de qualidade” da Solisform, mas também o acompanhamento próximo aos alunos “desde o primeiro dia em que entram até ao último dia em que saem”.

“Setúbal na Rede” – Quais as novidades que se podem esperar na Solisform?

 

Inês Bento – Em termos do sistema de aprendizagem, vamos iniciar no último trimestre do ano mais duas ações no curso de Técnico de Manutenção Industrial, metalurgia metalomecânica, que dá equivalência ao 12º ano e em que os alunos ficam também com uma carteira profissional. Estas ações têm uma duração de 3675 horas que são feitas por períodos, em que cada período tem um tempo de aulas e um estágio, porque é a chamada formação em alternância, uma vez que os alunos realizam sempre períodos de estágio em empresas direcionadas para o curso que estão a frequentar. Este curso não cumpre necessariamente o calendário letivo, uma vez que eles só param durante o mês de agosto, terminando o ensino secundário em cerca de dois anos e meio.

 

SR – Que comparação se pode estabelecer entre este curso e o ensino regular?

 

IB – Têm o português, a matemática, o inglês, a geometria e a físico-química, para além da parte técnica, Nos dias de hoje o ensino dual está cada vez mais na moda, porque é necessário que as pessoas saiam para o mercado com uma profissão e já não há tempo para um percurso que passe primeiro pela faculdade, mas se calhar fazer o circuito ao contrário do que era esperado antigamente.

SR – Considera que a formação profissional está na moda?

 

IB – É cada vez mais urgente haver este tipo de formação, porque devido à crise económica é necessário que haja mão-de-obra qualificada e estas pessoas ficam com a escolaridade obrigatória, não os impedindo de frequentar a faculdade, mas até incentivando-os a irem para o ensino superior já com alguns conhecimentos técnicos. Vão muito mais orientados, mais focados, porque já sabem o que querem e os objetivos estão mais delineados porque já experimentaram o mundo do trabalho. O ensino regular tem bastantes valências e é muito importante também, mas não devemos deixar cair por terra a opção pelos cursos profissionais ou de dupla certificação, que são opções cada vez mais presentes em cima da mesa.

 

SR – Então essa via alternativa está a ganhar terreno?

 

IB – Um aluno pode entrar para o sistema de aprendizagem com 15 anos, após concluir o nono ano, não tendo sequer que frequentar o décimo e perceber que não tem sucesso e que não é aquilo que pretende. Nesse caso, ele ganha outro tipo de orientação e pode concluir o percurso mais cedo do que no enino regular, porque esta via profissionalizante é mais curta.

SR – Este tipo de ensino também contribui para uma maturidade diferente?

 

IB – O mundo do trabalho dá-nos uma maturidade muito grande, pois tem esta presença nas empresas, em que 1500 horas são formação em contexto de trabalho e em que os alunos trabalham diariamente com os colaboradores daquela empresa e cumprem os mesmos rituais que eles. Eles só têm vantagem nesta formação por ser tão direcionada para a parte prática e para o estágio.

SR – Este tipo de cursos têm sido alternativas para quem falha no ensino regular?

 

IB – Não podemos ver este tipo de ensino como uma alternativa e o ministério da Educação está cada vez mais a apostar no ensino dual, pois este pode ser uma primeira opção viável, na medida em que todos podem ir para a faculdade, mais cedo ou mais tarde, e ter um canudo de engenheiro ou doutor.

SR – A Solisform tem sido procurada como primeira escolha?

 

IB – Cada vez mais temos sentido que os jovens que terminam o nono ano procuram a Solisform para tirar um curso dentro da área que eles querem e que equivale ao 12º ano.São jovens que, possivelmente os pais já trabalham no meio, já perceberam que têm que ter uma profissão, que querem aprender mais e que querem uma formação mais prática. Na Solisform conseguem tê-lo, porque além do português ou da matemática, têm um espaço oficinal onde põem a mão na massa e depois têm o período de estágio, que é o principal objetivo que trazem e que funciona como a cereja no topo do bolo, pois eles ficam fascinados e isso é muito gratificante, principalmente quando terminam e ficam empregados na empresa onde estagiaram.

SR – Estes jovens já têm maturidade suficiente para desempenhar essas tarefas numa empresa?

 

IB – O primeiro período de estágio é ao fim de 900 horas de formação, sendo que 300 horas são de formação em espaço oficinal. Se o curso tivesse só um ano, não conseguiam realizar as suas funções em pleno, mas ao fim das 3675 horas estão perfeitamente capazes para desempenhar essa função. E muitas vezes quanto mais novos melhor, pois menos vício têm

SR – Que feedback têm tido por parte empresas?

 

IB – Trabalhamos com diversas empresas, de várias áreas, porque toda a indústria necessita de um técnico de manutenção, e o feedback tem sido muito bom. No caso dos alunos que estão no segundo ano, já nos dizem que se terminassem agora se calhar ficavam com eles e isso é muito gratificante. As empresas testam os alunos num período de estágio gratuito e acabam por adaptar aquela pessoa às funções que pretendem, sem encargos e só com o acompanhamento que teriam sempre com qualquer novo colaborador.

SR – Tem havido casos em que os alunos garantem os seus empregos nos estágios?

 

IB – A nossa taxa de colocação de alunos anda à volta dos 85 ou 90 por cento, apesar do desemprego, porque estes alunos são mão-de-obra qualificada. Eles têm uma certificação, um reconhecimento, pois foram estagiar diversas horas e estão adaptados ao que a empresa pretende.

 

SR – Que tipo de empresas são essas que recebem os alunos?

 

IB – As que empregam mais são as grandes empresas e são geralmente aqui da região de Setúbal. Por muito que tenhamos este desemprego na nossa região, ainda há empresas a contratar.

SR – Quais as funções que desempenha um técnico de manutenção industrial?

 

IB – Está habilitado a fazer manutenção de diversos equipamentos que possam estar no espaço das fábricas e acabam por ser a resposta de emergência no caso de acontecer, por exemplo, alguma paragem numa linha de montagem, além de garantirem a limpeza e o acompanhamento desse equipamento. Principalmente as grandes empresas têm uma equipa que acaba por fazer este tipo de trabalho.

SR – O conhecimento é assim tão transversal para que possam trabalhar em qualquer tipo de empresa?

 

IB – Na formação damos a base e eles nos estágios vão aperfeiçoando. O primeiro estágio serve também para perceberem que tipo de área é que querem explorar. Na manutenção industrial, os alunos têm que abordar desde a mecânica até à eletricidade e ficam com uma ideia de muitas áreas, o que torna o curso bastante transversal, em que a partir dos estágios começam a direcionar-se para aquilo que pretendem.

SR – Para além da formação em Técnico de Manutenção Industrial, quais são as outras ofertas que a Solisform tem disponíveis?

 

IB – Formação financiada é mesmo só o curso de Técnico de Manutenção Industrial, mas temos também a formação privada nas áreas da soldadura ou condução de empilhadores, já como formação contínua.

SR – Esta escola tem cerca de cem alunos, o que também é determinante para marcar o ambiente vivido na escola?

 

IB – A equipa que está a trabalhar com o sistema de aprendizagem conhece todos os jovens e isso é muito importante porque passarmos por eles no corredor e sabemos dizer o nome deles e cumprimentá-los. É muito bom sabermos um pouco do percurso de cada um e podermos ajudá-los no que for preciso e isso é valorizado pelos alunos.

SR – O que definiria como imagem de marca da Solisform?

 

I – O que nos distingue principalmente é o ensino de qualidade que temos, não desfazendo das outras entidades, mas nós acompanhamos os alunos de perto desde o primeiro dia em que entram até ao último dia em que saem. Todos nós acompanhamos estes jovens de perto e preocupamo-nos, apoiando-os em tudo aquilo que pudermos e que estiver ao nosso alcance. Damos esse apoio não só enquanto eles estiverem na Solisform, mas também após a saída. Há jovens que, se ficarem sem trabalho, mandam email a pedir ajuda, o que não quer dizer que tenhamos a solução e que consigamos garantimos a empregabilidade a todos os jovens, mas tentamos acompanhá-los desde o inicio até ao fim dos seus percursos e mesmo no início da vida profissional.