A Webasto, situada no Parque Industrial da Autoeuropa e fornecedora da fábrica de Palmela, anunciou oficialmente aos seus trabalhadores a abertura de um processo de despedimento coletivo e o encerramento definitivo da empresa, logo que termine a produção do modelo Volkswagen Eos pela Autoeuropa, informa a coordenadora das comissões de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa, em comunicado.

Webasto vai encerrar_Palmela

A Webasto emprega, atualmente, cerca de uma centena de pessoas e produz o teto de abrir e toda a capota para o modelo Eos, do qual depende em exclusivo. A coordenadora lembra que a Webasto “tem vindo a rescindir contratos de trabalho ao longo dos dois últimos anos, fruto da redução de produção do modelo Volkswagen Eos”, tendo agora decidido pelo despedimento coletivo e encerramento definitivo da empresa, quando terminar a produção deste modelo, o que está previsto para o final do primeiro semestre deste ano.

“A constante preocupação das comissões de trabalhadores em procurar soluções para que este tipo de acontecimentos não atinja maiores proporções tem minimizado alguns problemas, mas continuamos a assistir a rescisões ‘amigáveis’ por todo o parque industrial e supomos que também em sub-fornecedores das empresas que aqui trabalham”, lamenta a coordenadora.

Esta entidade representativa dos trabalhadores considera ainda “lamentável” a “inércia de certas administrações em concorrer a produtos do grupo Volkswagen e trazê-los para Portugal, onde tem bons trabalhadores e equipamentos de ponta”. “É também lamentável a política de redução constante de preços a que os grupos do sector automóvel, nomeadamente a Volkswagen, submetem os fornecedores, levando a uma canibalização entre estes que, no limite, acaba depois em processos de encerramento, arrastando para o desemprego centenas de trabalhadores”, alerta.

A coordenadora antevê que o próximo ano se adivinhe “muito complicado para todo o parque industrial, Autoeuropa incluída, pois os produtos não estão mais novos e sobre novas produções nada se conhece”. Nestes períodos, considera que “a melhor maneira de manter aqui os trabalhadores, seja na Volkswagen Autoeuropa ou nas empresas do parque, é com o recurso a formação profissional, aumentando as competências técnicas e académicas destes trabalhadores”, lamentando não ver “disponibilidade de muitas empresas nem iniciativas do Governo para isso”.

“Mas nós não desistimos, continuamos dispostos a contribuir com soluções e, como coordenadora, reunir com todas as direções das empresas aqui sedeadas, seja com o Governo, para encontrar medidas que evitem mais despedimentos coletivos”, assegura.