Poucas horas depois de ser tornada pública a decisão da Câmara Municipal de Setúbal de cortar relações com a direcção do Vitória, uma comitiva do clube, constituída por Frederico Nascimento e Afonso Luz, presidente da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal dos vitorianos, respectivamente, esteve ontem de tarde reunida com a edil Maria das Dores Meira com o objetivo de conversar, entre outros assuntos, sobre o momento actual.

Sem adiantar pormenores, Afonso Luz, que admite que as “relações estão um pouco deterioradas”, revelou ao Diário da Região que o encontro teve carácter informal. “Tratou-se de uma reunião de trabalho que tem como objectivo manter o diálogo entre as duas instituições. É do interesse da Câmara Municipal e do Vitória que o principal emblema da região esteja bem. Para tal, ambas devem estar unidas”, sublinhou o dirigente que lidera o Conselho Fiscal dos sadinos.

Com o objectivo de abordar o momento actual e inteirar-se das conclusões da reunião que teve lugar ontem na autarquia, o Conselho Vitoriano reúne amanhã, pelas 18 horas, no Estádio do Bonfim. Entretanto, a Câmara Municipal agendou uma conferência de imprensa para as 15 horas da próxima sexta-feira, dia em que o clube celebra o seu 105.º aniversário.

Refira-se que o corte de relações foi anteontem noticiado pela Agência Lusa. Numa carta dirigida pela presidente da autarquia, Maria das Dores Meira, à direcção do clube, liderado por Fernando Oliveira, o município anunciou o corte relações com os vitorianos, no início do mês de Outubro, devido à “reiterada e inaceitável quebra de lealdade” da direcção do clube.

A presidente da Câmara Municipal afirma que a última dessas manifestações de deslealdade foi o arranque das obras na Sala de Troféus do clube do Bonfim, aparentemente com base no projeto elaborado pelos serviços municipais, que a autarca setubalense diz ser “absolutamente inaceitável”. De acordo com a edil, “o projeto tem autor e tem direitos de autor e, por essa razão, deverá o clube suspender de imediato a obra”.

“A decisão de avançar com as obras em curso na Sala de Troféus põe, por outro lado, em causa os procedimentos legais que tínhamos em curso para adjudicar um conjunto de obras em várias instalações do estádio, entre as quais esta sala de Troféus, e que vamos suspender de imediato”, acrescenta a notícia emitida pela Lusa.

A carta da presidente da Câmara de Setúbal recorda ainda que, ao longo das últimas décadas, a autarquia tem ajudado o clube do Bonfim com os mais variados apoios, “desde os auxílios financeiros permitidos por lei às modalidades, passando pela cedência de terrenos que o Vitória tem sistematicamente alienado para gerar mais capital, até à realização de obras no estádio e noutras instalações de apoio a esta instituição”.

Assegurando que mantém total disponibilidade para ajudar o clube sadino, noutro quadro de relacionamento que não o atual, Maria das Dores Meira garante também que a Câmara Municipal não vai permitir que os atuais dirigentes do Vitória de Setúbal responsabilizem a autarquia pelas dificuldades do clube.

“Não contribuiremos para que a direção do clube eleja a Câmara Municipal como bode expiatório de todas as incapacidades que tem revelado e muito menos aceitaremos que faça da edilidade a responsável pelos impasses para que o Vitória de Setúbal se deixou arrastar, por sua exclusiva responsabilidade”, adverte Maria das Dores Meira.