Sadinos interrompem ciclo de 27 derrotas consecutivas com o FC Porto

O Vitória conseguiu anteontem quebrar a tradição dos últimos anos ao empatar, 0-0, com o FC Porto em partida da nona jornada da I Liga portuguesa de Futebol. Há 11 anos sempre a perder com os dragões – 27 derrotas consecutivas em todas as competições desde o nulo imposto a 29 de Outubro de 2005 na Invicta –, os sadinos mostraram espírito de união, acabando por ser recompensados no final do encontro.

O FC Porto, que ficou agora a cinco pontos do 1.º lugar, entrou em campo com o objectivo de não deixar o líder Benfica, adversário na próxima jornada, distanciar-se na classificação. Por essa razão, os comandados de Nuno Espírito Santo assumiram logo o domínio do jogo perante um Vitória que na primeira parte se limitou a tentar suster o ímpeto ofensivo dos forasteiros.

Com Otávio de regresso ao onze (rendeu Brahimi), depois de falhar a jornada anterior com o Arouca, os portistas instalaram-se cedo no meio campo dos sadinos, mas sem conseguirem criar lances de perigo nos primeiros 25 minutos, altura em que tiveram uma oportunidade soberana para marcar por Óliver Torres. Um desentendimento entre Costinha e Nuno Pinto permitiram o contra-ataque de Diogo Jota que assistiu o espanhol que, na cara de Bruno Varela, permitiu a defesa do guarda-redes.

Logo a seguir, na única vez que o Vitória visou a baliza de Iker Casillas no primeiro período de jogo, o defesa Nuno Pinto rematou em zona frontal muito por cima do alvo. Mais perigosos foram os dragões quando, aos 29 minutos, dispuseram de nova ocasião para inaugurar o marcador. Desta vez coube a Diogo Jota ser perdulário num cabeceamento que saiu ao lado do poste esquerdo.

Apesar de o FC Porto ter dominado o primeiro tempo, perante um Vitória que se limitou a defender e a jogar para para segurar o nulo, o discernimento e pontaria dos forasteiros, que não conseguiram desfazer o 0-0 antes do intervalo, estiveram longe de ser os desejados pelo seu treinador Nuno Espírito Santo.

Sem alterações nos onzes sadinos e portistas, a toada de jogo manteve-se após o reatamento. André Silva, aos 48 minutos, cabeceia ao lado do poste esquerdo, depois de cruzamento de Layún. Mais perto do golo estiveram aos 54 minutos através de Diogo Jota, que ainda deve estar a rogar pragas a Bruno Varela pela defesa fabulosa que fez para impedir que o avançado marcasse de cabeça, depois de assistência de Otávio na direita.

Já com sadino Arnold (entrou para o lugar de João Amaral aos 64), a equipa de José Couceiro subiu de produção e começou a acercar-se da área contrária. Aos 77, na sequência de um livre directo cobrado por Nuno Pinto (a castigar falta sobre Arnold) os adeptos do Vitória presentes no estádio gritaram golo quando Fábio Cardoso, de cabeça, introduziu a bola na baliza de Casillas. Apesar dos festejos do central, que foi com Bruno Varela o melhor jogador em campo, o golo foi (bem) anulado por fora de jogo.

Até ao final, os dragões tentaram, sem sucesso, tudo na busca do golo do triunfo. Numa dessas iniciativas, o defesa Felipe, aos 89, cabeceou sobre a trave. Aos 90+3, com o joelho, foi a vez de Marcano imitar o colega, mantendo-se o marcador em 0-0, resultado que interrompeu a tal série de 27 êxitos consecutivos do FC Porto sobre o Vitória em todas as competições oficiais.

«Meio jogador do FC Porto, Benfica ou Sporting paga a nossa estrutura toda»

José Couceiro

“Este empate não é uma vitória porque só vale um ponto, mas pontuar contra estas equipas é entre aspas uma vitória. Meio jogador do FC Porto, Benfica ou Sporting pagam a nossa estrutura toda. Há muitos anos que o Vitória não conseguia pontuar com o FC Porto: desde 1997 e não ganhamos desde 1982/83… É preciso ter estrelinha. Tivemos a sorte do jogo em alguns momentos. Na segunda parte fomos mais acutilantes e tivemos algumas possibilidades de poder eventualmente marcar um golo. O campeonato acaba em Maio, falta muito tempo e temos muito que sofrer para conseguirmos o nosso objectivo de ficar na Liga. [Depois de empatar com o Benfica, empata com o FC Porto] Só jogamos mais baixo porque somos obrigados pela dimensão da equipa grande. Quando temos capacidade ou nos permitem, nós subimos linhas, tentamos pressionar mais alto… Portanto, somos uma equipa que quer defender longe da sua área, que quer jogar e ter qualidade. Temos uma identidade e eu não vou mudar nada a esse nível. Agora, é evidente: estamos a jogar contra uma equipa que tem um poderio diferente e não é comparável. [Arbitragem] Não quero entrar por aí. Os meus jogadores também estavam com esse comportamento (de contestar o árbitro) e o que lhes pedi ao intervalo foi para se focarem no jogo e não no árbitro.”

 

14 clubes espiam no Bonfim

Foi extensa a lista de emblemas que enviaram emissários ao jogo entre o Vitória e o FC Porto. Entre os 14 clubes presentes no Bonfim, o país mais representado foi Inglaterra com as presenças de Arsenal, Manchester United, Sheffield Wednesday e Ipswich Town, seguindo-se Espanha (Sevilha, Gijón e Eibar) e Portugal (Benfica, Sporting e Sp. Braga) com três representantes cada. A completar a lista surgem os italianos Juventus e Génova, os franceses do Mónaco e os russos do Zénit.

 Ricardo Lopes Pereira