Sadinos salvaram-se as últimas três vezes que chegaram aflitos à derradeira jornada

 

 

Sofrer até à última jornada não é propriamente uma sensação nova para os adeptos do Vitória. Apesar de não dependerem do resultado dos adversários directos na luta pela permanência (U. Madeira e Tondela), o jogo de sábado, a partir das 19h30, com o Paços de Ferreira deverá fazer muitos vitorianos roer as unhas e ganhar cabelos brancos tal deverá ser o estado de ansiedade até ao apito final do encontro.

É a quarta vez desde 2007 que o Vitória chega à derradeira jornada do campeonato em risco de descer de divisão. Nessas ocasiões, a equipa salvou-se sempre à tangente, mas já houve épocas em que, em circunstâncias semelhantes,  não conseguiram evitar o dissabor da despromoção no último jogo. Quim Machado tem a missão de evitar que se repita o desfecho de 1986, 1991 e 2000, anos em que equipa caiu no escalão secundário na ronda final.

Não fosse a apreensão pelo ciclo de 14 jogos que a equipa leva sem ganhar, os adeptos teriam mais motivos para estar confiantes em comparação, por exemplo, com 2006/07. O Vitória entrou para a derradeira ronda na última posição um ponto atrás de Desportivo das Aves e Beira-Mar, ambos com 22. O ‘milagre’ aconteceu porque nenhum dos opositores ganhou os seus jogos e a equipa de Carlos Cardoso venceu a Naval (1-2) na Figueira da Foz, cidade que também foi talismã em 2009, bastando um empate (2-2) para a salvação dos sadinos.

Menos stressante foi 2012/13, a equipa, então treinada por José Mota, perdeu nove dos últimos 10 jogos – despediu-se da temporada com uma derrota em Setúbal com o Sp. Braga (0-1) –,  mas não desceu devido à incapacidade da concorrência directa em vencer os respectivos confrontos na ronda final.

No entanto, nem sempre as coisas correram de feição. Em 1991 e 2000 o Vitória foi para a derradeira jornada acima dos lugares de descida, mas acabou por cair devido aos empates caseiros cedidos com E. Amadora (1-1) – ambos os clubes desceram – e U. Leiria (0-0), respectivamente. Em 1985/86, numa prova com 20 clubes, a equipa também estava a salvo, mas uma derrota com o Marítimo e um triunfo do Aves sobre a Académica empurrou o Vitória, sob a liderança de Fernando Tomé, para a 2.ª divisão.

Um dado curioso relativo às temporadas em que o Vitória esteve em risco de descer na última jornada prende-se com o facto de o adversário de sábado, o Paços de Ferreira, ter tido influência no desfecho favorável aos setubalenses.O empate (1-1) que os nortenhos impuseram ao Beira-Mar em 2007, quando tal como agora lutavam por uma vaga na UEFA, e o triunfo (1-0) dos pacenses em 2009 sobre o Trofense, ambos na derradeira partida, foram decisivos para a salvação vitoriana.

Quanto à preparação da equipa liderada por Quim Machado, o plantel, que viajou ontem ao final da tarde para Évora, cidade alentejana onde vai estagiar até ao dia do jogo, realiza hoje, no campo do Lusitano de Évora, a partir das 10 horas, à porta fechada, o primeiro treino na cidade património mundial da UNESCO.

Entretanto, o  árbitro João Capela, da Associação de Futebol de Lisboa, foi o árbitro nomeado para dirigir a partida entre sadinos e pacenses no Bonfim. Esta época, o juiz dirigiu, sempre em Setúbal, o Vitória em três ocasiões: no triunfo (1-0) sobre o Estoril e na derrota (0-1) com o Moreirense, ambos no campeonato, e com o Rio Ave na Taça de Portugal (derrota sadina nos penáltis, 1-3, depois de 1-1 no tempo regulamentar.

Ricardo Lopes Pereira