Depois da derrota (1-4) de há uma semana na recepção ao Paços Ferreira, o Vitória averbou anteontem o segundo desaire no campeonato, desta vez no reduto do Sporting de Braga, por 2-1. No final do encontro, o treinador José Couceiro não poupou críticas à arbitragem de Fábio Veríssimo, acusando-a de dualidade de critérios na avaliação de lances no interior da área.

Na ronda anterior, os pacenses fizeram dois golos de forma irregular [um em fora de jogo e outro com a mão] e os responsáveis do Vitória entenderam não fazer alarido dos factos por entenderem que foram os erros dos seus jogadores que determinaram o desaire. Em Braga, José Couceiro falou de um penálti duvidoso que deu a iguladade ao adversário no marcador e de um evidente que ficou por marcar por falta sobre Edinho.

Após uma excelente entrada na partida, o O Vitória adiantou-se no marcador aos 30 minutos, por André Claro, numa fase em que já podia estar a vencer dado o caudal ofensivo e as oportunidades criadas. Com nove atletas lesionados, os minhotos ressentiram-se, tendo passado muitas dificuldades na primeira parte para suster a velocidade do ataque sadino que, devido a falta de eficácia, não foi para o intervalo com um resultado mais dilatado.

Exemplos do desacerto no remate final foram um remate de Nuno Santos (16 minutos), André Claro (19), e João Amaral (22). Como que redimindo-se do falhanço incrível que teve minutos antes perante uma baliza deserta, André Claro, à passagem da meia-hora, fez o 1-0 para os setubalenses. O golo surgiu com naturalidade, num lance que surgiu de um erro de Baiano que, de cabeça, cortou contra o colega Rosic, assistindo involuntariamente André Claro que, desta vez, não perdoou e fuzilou Matheus.

A perder e a ouvir com alguns apupos na bancada, José Peseiro lançou no início da segunda parte o ex-sadino Pedro Santos para o lugar de Ricardo Horta, outro ex-vitoriano. A alteração mexeu com os minhotos que conseguiram virar o resultado em oito minutos: aos 50 empatou por Alan, na tal penáti por pretensa falta de Nuno Santos, e aos 58, por Wilson Eduardo, após assistência de Alan.

Os sadinos acusaram o golo e a defesa vacilou. Aos 58 minutos, Alan amorteceu para o ‘tiro’ de Wilson Eduardo, que não deu hipóteses de defesa ao regressado Bruno Varela. Estava consumada a reviravolta. Até ao apito final, o Vitória tentou chegar ao empate e esteve perto disso aos 73 minutos, mas Matheus levou a melhor sobre João Amaral e, aos 85, Zé Manuel, em boa posição já dentro da área, rematou sem pontaria.

«Não nos prejudiquem»

José Couceiro, treinador do Vitória

«Acho que o Vitória nunca merecia ter perdido, é uma equipa que tenta disputar os jogos, queremos é somar pontos, preparamos uma estratégia para vencer, mas já percebi também que vamos ter de começar a falar noutras coisas porque, se no lance da grande penalidade do Braga, um toque ligeiro o árbitro hesita e só depois de receber uma mensagem do árbitro auxiliar é que marca, o Edinho, que é puxado pelos calções e todo o estádio viu, não é marcado penálti, alguma coisa está errada.

A grande penalidade do Braga, que é o lance que decide porque vira o jogo, o Wilson Eduardo tira proveito, é complicado para os árbitros alguns lances, mas um calção esticado não deixa dúvidas nenhumas. Não nos prejudiquem… já bastam os nossos erros.

Não conseguimos fazer o segundo golo na primeira parte e depois tivemos 10/15 minutos a seguir ao golo do Braga que mexeram com a equipa e com o seu estado emocional. Só reapareceu mais tarde, mas mesmo assim não completamente, ainda tivemos algumas oportunidades para empatar, mas a verdade é que o nosso objectivo não foi conseguido porque não somámos pontos.»

Ricardo Lopes Pereira