A ligação fluvial entre o Barreiro e o Terreiro do Paço, em Lisboa, está condicionada até sexta-feira, com a supressão de algumas carreiras nos dois sentidos durante o período da manhã.

No portal Transportes de Lisboa, que reúne a informação sobre os transportes urbanos na região, foi anunciada a supressão de cinco carreiras, apenas no período da manhã, entre as 7:20 e as 09:00, nos dois sentidos.

A ligação entre o Barreiro e Lisboa é assegurada pela Soflusa.

“Face à política de desinvestimento que se verificou nos últimos anos na empresa e à saída de colaboradores, quer por motivos naturais, quer inesperados, a empresa tem hoje uma limitação dos recursos existentes, o que, em coincidência com períodos de férias de colaboradores, gera por vezes, a impossibilidade de garantir todo o serviço programado”, disse fonte oficial da empresa.

Segundo a mesma fonte, a administração pretende avançar para a contratação de novos trabalhadores.

“A atual administração, consciente da importância do serviço que presta à população, tem orientado todos os seus esforços na reposição das condições indispensáveis à prestação de um serviço público de transporte que se paute por padrões de qualidade dignos dos seus clientes, estando assim neste âmbito, a ser despoletado o procedimento com vista à obtenção de autorização para a contratação de novos colaboradores”, concluiu.

Na semana anterior também se tinha registado a supressão de várias ligações fluviais entre as duas margens do Tejo.

Na ocasião, o Sindicato dos Trabalhadores Fluviais Costeiros e da Marinha Mercante referiu, em comunicado, que na origem das supressões anunciadas está a “falta de trabalhadores para preencher as vagas deixadas em aberto por rescisões impostas pelo anterior conselho de administração”.

“Este último trimestre, com a entrada dos períodos de férias, veio destacar mais ainda toda esta situação. Ao fim destes meses, o problema tem sido compensado com um enorme volume de trabalho extraordinário que começou agora a trazer os seus problemas de saúde e cansaço aos trabalhadores da empresa, esgotados com todo este esforço físico e mental”, refere a nota.

O sindicato acrescenta que nas reuniões com a empresa a questão da admissão de novos trabalhadores tem sido sempre colocado, mas a resposta é que “os orçamentos não o permitem e o ministro das Finanças não autoriza”.

“Com o novo Governo continuamos com o mesmo problema do não investimento na contratação e com o tempo será a renovação das frotas posta em causa. Esta situação não é exclusiva da Soflusa, a Transtejo também sofre com todos estes impedimentos. O futuro de um transporte fluvial condigno, confortável e em segurança entre as duas margens do rio Tejo está em perigo”, refere o sindicato.