Acesa troca de palavras entre Dores Meira (CDU) e Paulo Lopes (PS). Eleitos socialistas dizem que presidente de Câmara os ofendeu, chamando-lhes “mentirosos” e “sem escrúpulos”. Dores Meira mantém o que disse; que os vereadores estão de “má-fé propositada” para “baralhar as pessoas” quando falam em passivo de 118 milhões em vez de divida no total de 67 milhões

 

Os vereadores do PS da Câmara Municipal de Setúbal abandonaram a ultima reunião pública do executivo, na quarta-feira à tarde, em protesto contra o que dizem ser uma “uma postura de insulto politico e de insulto pessoal”, por parte da presidente da autarquia, de maioria CDU.

Os eleitos socialistas, Paulo Lopes, Fernando José, Sandra Gomes e Fernando Paulino, abandonaram a sessão depois de uma troca de palavras entre as bancadas socialista e comunista sobre as contas do município e o processo de saneamento financeiro recentemente iniciado, que prevê um empréstimo de 15 milhões de euros para pagamento de dívidas de curto prazo.

“A presidente chamou-nos mentirosos, disse que estamos de má-fé e que não temos escrúpulos”, disse Paulo Lopes ao DIÁRIO DA REGIÃO, acrescentando que, perante estas afirmações, a vereação do PS não “tinha condições para continuar na reunião”.

A discussão subiu de tom a propósito das contas municipais, quando Paulo Lopes afirmou que o passivo da Câmara Municipal é de 118 milhões. Dores Meira respondeu que a divida actual é de 67 milhões. O vereador socialista até concordou mas insistiu no passivo, o que levou a autarca comunista a acusar o PS de tentar confundir as pessoas.

“Eles estão mal-intencionados. Sabem que a divida é de 67 milhões e falam do passivo, que é de 118 milhões, com consciência de que estão a fazer uma manobra, a criar um facto político. O passivo não é só divida, é também fundos comunitários – de que vamos receber agora 7 milhões – mais cauções de obras em curso – 130 obras -, e amortizações de imoveis e viaturas. Tudo isso está no passivo mas não é divida.”, diz Maria das Dores Meira.

A presidente da Câmara acusa Paulo Lopes de estar “propositadamente a enganar as pessoas”, e conclui que, “se faz isso, se usa a mentira deliberada, é uma pessoa sem escrúpulos”.

Paulo Lopes diz que Dores Meira “ofendeu” porque entrou no “domínio pessoal”.

Ontem, no dia seguinte à conturbada reunião de câmara, o PS Setúbal divulgou um comunicado, assinado pelo líder da Federação Distrital, António Mendes.

“Torna-se imperativo esclarecer os setubalenses e azeitonenses de que os eleitos do Partido Socialista não toleram atitudes de prepotência e de falta de respeito por parte da presidente da Câmara Municipal não só ao órgão a que preside, mas também à dignidade dos milhares de setubalenses e azeitonenses que elegeram democraticamente os vereadores do PS e de todos os munícipes que os eleitos representam.”, refere o documento.

Para o PS, a atitude de Dores Meira só é justificada “pela dificuldade do executivo CDU em conviver com as verdades relativas ao actual passivo e dívida da Câmara Municipal que foram abordadas pelo Partido Socialista em conferência de imprensa do passado dia 18 de Julho, assim como as duvidas suscitadas relativas ao projecto de investimento macaense para a zona ribeirinha, pois á imagem de outros memorandos, existe um histórico de estudos, projectos e planos de pormenor que nunca foram concretizados e nos leva a ter uma postura um pouco mais contida perante o mesmo”.

Curiosamente, tanto comunistas como socialistas usam, neste caso, a expressão de que “em política não vale tudo”.

“Comigo chega! As coisas têm que ter nome. Na política não vale tudo e comigo não vale, mesmo, tudo.”, atirou Dores Meira em declarações, ontem ao DIÁRIO DA REGIÃO.

No comunicado do PS, António Mendes diz que “em política não vale tudo”, e lamenta que a presidente da Câmara crie um clima de mau funcionamento dos órgãos municipais”.

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Paulo Lopes e Dores Meira

O anjo sem asas e a loura pintada

A acesa discussão de quarta-feira entre a presidente da Câmara e o líder da bancada do PS incluiu um diálogo particularmente hilariante.

A certa altura, Dores Meira diz para Paulo Lopes: “O senhor parece um anjo, só lhe faltam as asas”. O eleito socialista respondeu na mesma moeda. “A senhora presidente não costuma dizer que não é loura, que só pinta o cabelo?”, perguntou Paulo Lopes, concluindo com um “eu também não sou louro”.