Utentes foram recebidas por chefe de gabinete de secretário de Estado e saíram desiludidos. Ainda não se sabe quem vai fazer reparação do IC1 e as obras na a26 só devem arrancar em Janeiro

Várias dezenas de pessoas, entre utentes e autarcas dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, manifestaram-se ontem em Lisboa, à porta do Ministério do Planeamento e Infraestruturas, em luta pela reparação do Itinerário Complementar (IC) 1 e pelo reinício das obras de construção da A26.

Os participantes na concentração exigem a reparação dos cerca de 21 quilómetros do IC1, entre Alcácer do Sal e Grândola, um troço muito degradado e de enorme perigosidade, onde, nos últimos dois meses, morreram quatro pessoas em acidentes de viação, e reivindicam também o retomar das obras de construção do troço de auto-estrada, A26, entre Sines e Santo André, que estão suspensas há vários anos.

Os responsáveis das comissões de utentes, de Alcácer, Grândola, Santiago e Sines, foram recebidos pelo chefe de gabinete do secretário de Estado das Infra-estruturas, mas saíram desiludidos do encontro.

“Em resumo, saímos com mais do mesmo, o Governo diz que está a avaliar da capacidade do concessionário [do IC1] de fazer as obras, questões jurídicas e técnicas que são complexas”, disse o dirigente da Comissão de Utentes de Alcácer do Sal do IC1, ao DIÁRIO DA REGIÃO, no final da reunião. Manuel Rocha acrescentou que tem de ser o Governo a assumir as obras.

“Para nós não é aceitável estarmos há tantos anos nestas questões com o concessionário, o estado tem que assumir a resolução do problema”, disse, acrescentando que “todas as datas que foram anunciadas este ano pelo Governo, para o arranque das obras, não foram cumpridas e agora já não adiantam mais datas”.

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Sobre a A26, as comissões de utentes denunciam uma “contradição” no discurso do ministro Pedro marques e do seu secretário de Estado.

“No caso da A26, o ministro tinha dito que inicio das obras seria esta semana e o chefe de gabinete do secretário de Estado disse-nos hoje [ontem] que será só em Janeiro. É mais uma contradição.”, afirmou Manuel Rocha.

As comissões de utentes garantem que “vão manter a luta e oportunamente serão anunciadas novas acções”.

Os autarcas comunistas de Alcácer do Sal, Vítor Proença, Grândola, António Figueira Mendes, e Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, estiveram presente no protesto, em Lisboa. O presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas (PS), não participou.