Tecnologia geofísica utilizada para permitir encontrar vestígios enterrados. Trabalhos decorrem até hoje, mas análise dos dados levará meses

Uma equipa da Universidade de Évora iniciou ontem, no Castelo de Sines, prospecções através de “geo-radar” para procurar vestígios de uma aldeia primitiva entre as muralhas, onde já se encontraram peças de uma basílica visigótica.

O projecto do Museu de Sines, que está instalado dentro do castelo, decorre em parceria com o departamento de Física da Universidade de Évora, que desenvolveu a tecnologia de prospecção geofísica que é utilizada para procurar vestígios enterrados e, assim, contribuir para decidir onde escavar em futuras campanhas arqueológicas. “Vamos utilizar alguns métodos de leitura do terreno, com o Departamento de Física da Universidade de Évora, que vai passar, até sexta-feira, aquilo que se chama um ‘geo-radar’, que vai permitir fazer uma leitura de tudo o que está enterrado dentro do castelo”, disse à agência Lusa o coordenador do museu, Ricardo Pereira. A intenção, adiantou, é encontrar vestígios de uma aldeia primitiva dentro do Castelo de Sines.

“Nós temos notícia de que o castelo começou a ser construído à volta da aldeia primitiva, como uma muralha defensiva, portanto ali dentro temos as fundações da aldeia medieval de Sines e é isso que queremos, de alguma forma, revelar para permitir depois direccionar campanhas arqueológicas em sítios muito específicos”, explicou.

“Raio X” ao terreno

Em seis prospeções arqueológicas feitas “há mais de 20 anos” pelo município em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal foram já escavados vestígios como “peças de decantaria”, retiradas das muralhas do castelo, que permitem saber, por exemplo, da existência de “templos visigóticos”.

“Temos vestígios da basílica [visigótica], peças lindíssimas de decantaria, algumas com mais de dois metros de altura, todas trabalhadas, que têm sido retiradas das muralhas do castelo, que foram construídas no século XV”, exemplificou, revelando haver mais de “70 elementos de decantaria” do “século VII”.

O processo de prospecção geofísica, que faz um género de “Raio X” ao terreno, pode ajudar a resolver “muitos mistérios” da génese de Sines e contribuir para preparar previamente campanhas arqueológicas. “Não podemos escavar tudo”, observou Ricardo Pereira, lembrando que hoje já “é possível fazer leituras de vestígios arqueológicos sem os escavar”.

Depois de dois dias em campo, o restante trabalho de análise de dados poderá demorar meses. “Vamos ter um trabalho de análise e esse vai durar alguns meses, é feito em computadores, na universidade, e vai permitir, por exemplo, construir modelos tridimensionais” dos achados, revelou.

O projeto avança no terreno na mesma altura em que decorrem as Jornadas Europeias do Património, cujo programa, em Sines, que começa hoje, propõe experimentar a “jangada de São Torpes” e visitas à exposição “Memórias da Praia de São Torpes”, actualmente no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa.