Após três jogos sem ganhar no campeonato, o Vitória retomou anteontem os êxitos de forma clara e categórica. O 3-0 com que a equipa despachou o Belenenses, no Estádio do Restelo, reflectem a superioridade do conjunto treinado por Quim Machado. Quando estão decorridas 12 jornadas, os sadinos ocupam o 5.º lugar, posição que dá acesso à Liga Europa no final da prova.

O sul-coreano Suk, aos 15 e 60 minutos (já soma sete golos na presente edição da I Liga e um na Taça de Portugal), e André Horta, aos 18 (estreou-se a marcar em jogos oficias pela equipa principal), apontaram os golos da quarta vitória dos setubalenses na prova e da primeira derrota caseira aos lisboetas.

Com Ruca e André Horta no onze inicial (Dano e Costinha foram preteridos), os vitorianos foram uma equipa tremendamente eficaz, aproveitando da melhor forma os dois lances ofensivos que construíram na primeira parte, durante a qual o Belenenses rematou muito, embora sempre fora do alvo.

Do lado dos azuis e brancos, que quinta-feira jogam em Florença, com a Fiorentina, a sua continuidade na Liga Europa, o experiente Carlos Martins foi dos que mais procurou contrariar a superioridade dos forasteiros, tendo dado os primeiros avisos ainda nos instantes iniciais, com dois remates que passaram perto da baliza defendida por Ricardo.

Contudo, a formação sadina demonstrava organização defensiva e objectividade no ataque, o que acabaria por lhe proporcionar o tento inaugural, à passagem do quarto de hora, quando Suk surgiu de forma imponente na área adversária, correspondendo de cabeça a um cruzamento de André Claro, aos 15 minutos.

De resto, o avançado sul-coreano voltaria a estar em destaque volvidos três minutos, isolando André Horta, que não desaproveitou a oportunidade de fazer o seu primeiro golo pela equipa principal. O médio ofensivo, que no final dedicou o golo ao irmão Ricardo Horta [ex-jogador do Vitória que actua agora nos espanhóis do Málaga), não conseguiu esconder a emoção durante as celebrações

A reação do Belenenses fez-se sentir até ao intervalo, mas sem verdadeiro incómodo para o guarda-redes Ricardo, que viu Carlos Martins, Fábio Sturgeon e Kuca falharem nas ocasiões em que visaram a baliza do Vitória, que contou no Estádio do Restelo com o apoio de cerca de 400 adeptos.

No regresso do intervalo, e perante a desvantagem, Ricardo Sá Pinto lançou Tiago Caeiro para a frente de ataque do conjunto lisboeta, mas seriam os sadinos a ficar muito perto de aumentar a contagem, não fosse um corte providencial de André Geraldes, a impedir a conclusão de Arnold.

O técnico do Belenenses voltaria a arriscar tudo à hora de jogo, dando ainda maior projeção ofensiva à sua equipa, com a entrada de Traquina, mas, assim que o extremo entrou no relvado, o Vitória fez o terceiro, novamente por Suk, quando o cronómetro assinalava 60 minutos.

À entrada para o último quarto de hora, Frederico Venâncio poderia dilatado a vantagem dos setubalenses, mas Ventura evitou males maiores para os ‘azuis’, que apenas aos 80 minutos conseguiram alvejar a baliza de Ricardo, num remate de Luís Leal que embateu com estrondo na trave da baliza vitoriana.

Desta forma, o Vitória, que no próximo sábado defronta o Benfica em Setúbal, subiu ao 5.º lugar, com os mesmos 18 pontos do Rio Ave, que hoje visita o reduto do V. Guimarães, enquanto o Belenenses somou o primeiro desaire caseiro na I Liga, em vésperas de defrontar a Fiorentina, para a Liga Europa.


Quim Machado, treinador do Vitória

«Neste momento merecemos o quinto lugar»

“Quisemos ganhar o jogo desde o início e instalámo-nos no meio-campo do Belenenses. Fizemos dois belos golos na primeira parte, em boas jogadas. Disse aos meus jogadores que era importante ganhar e não sofrer golos. Tivemos sempre o controlo do jogo e a vitória assenta-nos bem. Temos uma equipa com jovens jogadores, mas que têm uma vontade enorme de trabalhar. Defrontámos um adversário que está na Liga Europa e que tem feito um bom campeonato. Sabíamos que seria um jogo extremamente difícil. Ganhar em Belém é uma marca importante.

O [André] Horta é um miúdo. Foi a estreia dele a marcar. É um miúdo que tem capacidade para vir a jogar nos três ‘grandes’. O Benfica? É um adversário difícil. Agora, vamos saborear este triunfo e, a partir de segunda-feira, vamo-nos concentrar no que poderemos fazer contra o Benfica. A nossa ambição está lá. Partimos para este jogo para chegarmos ao 5.º lugar, mas chegar à Liga Europa é pedir muito. Estamos numa fase de crescimento e temos os pés bem assentes no chão. Temos de continuar o nosso trajecto. Neste momento, merecemos o quinto lugar.”


André Horta

«Vamos conseguir grandes feitos esta época»

“Senti um misto de emoções. Foi um golo que já procurava. Gostava de o dedicar ao meu irmão [Ricardo Horta, do Málaga], que está longe. Temos uma relação próxima e deixei-me levar pelas emoções. Foi uma exibição à nossa imagem. Queríamos rectificar alguns erros que tivemos contra o União da Madeira e acabou por ser um jogo bem conseguido da nossa parte. A continuar assim, vamos conseguir grandes feitos esta época.

Quero continuar a fazer o meu caminho. Sinceramente, até acho que hoje não fiz um dos melhores jogos esta época. Quero continuar a provar ao treinador que posso ser opção para o ‘onze’ inicial e no final do ano dar o salto para um ‘grande’. O Benfica é um clube que tem um lugar muito especial no meu coração. Fiz lá a minha formação, mas vou encarar o jogo de forma profissional e para ganhar. Sabemos que o Benfica não está tão forte como em anos anteriores e vamos jogar para ganhar.”