Os trabalhadores da Eurest, empresa que presta serviço no refeitório da Volkswagen Autoeuropa, realizam uma greve de 48 horas, hoje e amanhã, com concentração junto à portaria da fábrica de Palmela, pelas 8h00 desta quinta-feira. As razões que levam os trabalhadores a avançarem com esta jornada de luta “prendem-se com a necessidade de ver aumentado o salário, pelo cumprimento do pagamento do trabalho ao dia feriado, conforme o contrato coletivo de trabalho, e pela aplicação da contratação coletiva nas restantes matérias”, explica a União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, em nota de imprensa.

“É uma greve que tem como objetivo obrigar as empresas do sector da alimentação, e esta [a Eurest] em particular, a procederem a aumentos salariais, porque os trabalhadores há mais de cinco anos que não têm qualquer aumento de salário”, disse à agência Lusa Maria das Dores Gomes, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul. Maria das Dores Gomes adiantou que estes trabalhadores “levam para casa, depois dos descontos, pouco mais do que o salário mínimo”.

A sindicalista acusou também as empresas do sector de se aproveitarem da “boleia da ‘troika’” para continuarem a pagar o trabalho aos dias feriados abaixo do que está previsto na lei. “Durante o período da ‘troika’ pagavam os dias feriados apenas a 25 por cento e agora estão a pagar a 50 por cento. Só que deveriam estar a pagar [os feriados] a 100%”, defendeu.

A responsável disse ainda que já foi solicitada a intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), para verificar a alegada irregularidade, mas que ainda não houve qualquer intervenção nesse sentido. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, a Eurest tem “mais de 60 trabalhadores que servem cerca de duas mil refeições diárias, em regime de laboração contínua”, no refeitório da fábrica de automóveis da Autoeuropa, em Palmela.