Vitória afastado da Taça de Portugal pelo Rio Ave

Após o empate, 1-1, nos 120 minutos, o Vitória falhou anteontem, no Estádio do Bonfim, o objetivo de se apurar para os quartos-de-final da Taça de Portugal ao perder com o Rio Ave no desempate através da marca de grandes penalidades, por 1-3. Da marca dos 11 metros, apenas Ruca conseguiu marcar para os sadinos, enquanto os vila-condenses, apesar do guiardião Ricardo ter travado dois remates, Ukra, João Novais e Yazalde mostraram maior eficácia.

Com quatro alterações no onze inicial em relação à equipa que defrontou sábado o Benfica, o Vitória teve um início prometedor. Aos 12 minutos, Suk desferiu um pontapé soberbo de pé esquerdo e fez um golo monumental. O sul-coreano, que já soma dez golos na presente época (oito no campeonato e dois na Taça de Portugal), rematou forte e colocado levando a bola a entrar junto do ângulo superior direito da baliza de Cássio.

Num jogo muito disputado, o Rio Ave não se deixou afectar pelo golo e reagiu lançando-se na frente de ataque em busca do empate. Depois de avisos de Bressan (17 e 23 minutos) e Wakaso (26), a melhor oportunidade esteve num cabeceamento de Zeegelar que acertou no poste direito da baliza defendida por Ricardo, aos 27 minutos.

Apesar de os vila-condenses terem mais caudal ofensivo e ocasiões para marcar, os comandados de Quim Machado não deixaram de procurar o segundo golo. Aos 31 minutos, após cruzamento de Nuno Pinto na esquerda, André Claro, de primeira, em zona frontal, viu Cássio desviar o remate para a trave.

Numa primeira parte electrizante e jogada a alta rotação, o vila-condense Heldon viu o Ricardo voar para evitar o golo e, na área contrária, o avançado Vasco Costa falhou por centímetros o segundo golo dos anfitriões à boca da baliza.

Quatro minutos após o reatamento – já sem o defesa Nuno Pinto (saiu com uma indisposição gástrica) –, o Rio Ave chegou à igualdade num remate forte, à entrada da área, de Wakaso. O guardião Ricardo foi surpreendido e pareceu mal batido, pese embora a ‘floresta de pernas’ que tinha à sua frente. Numa altura em que os sadinos tinham dificuldades em controlar o meio campo, os nortenhos, aos 55 minutos, quase operaram a reviravolta num remate de Heldon, que Ricardo travou com dificuldade.

Numa altura em que os sadinos procuravam equilibrar o jogo, apesar de não conseguirem criar lances perigosos junto da baliza contrária, Rúben Semedo recebeu ordem de expulsão, aos 82 minutos, do árbitro João Capela depois de ter cometido falta duríssima sobre Pedro Moreira. Aos 89 minutos, Heldon, de livre direto, viu o guarda-redes Ricardo evitar o golo, adiando a decisão da passagem à fase seguinte para o prolongamento.

Com as equipas em inferioridade física – ambas jogaram no sábado em partidas do campeonato – , o ritmo de jogo abrandou com naturalidade no prolongamento, apesar de o Rio Ave ter mais bola na sua posse. Vitória e Rio Ave voltaram a jogar em igualdade numérica após a expulsão de Zeegelar aos 112 minutos, quando o holandês viu o segundo cartão amerelo (o primeiro foi aos 100).

Na ‘lotaria’ dos penáltis, os guarda-redes Ricardo e Cássio estiveram em bom plano ao defenderem dois remates cada da marca dos 11 metros. No pontapé decisivo, Yazalde desferiu o pontapé que valeu o apuramento ao Rio Ave, enquanto Costinha, Suk e William não conseguiram desfeitear Cássio da marca dos 11 metros, terminando com o sonho vitoriano de regressar ao Jamor em 2016.

«É terrível perder nos penáltis»

Quim Machado

No final do jogo, o treinador dos sadinos não conseguiu esconder a tristeza por a sua equipa ter caído nas grandes penalidades. “É terrível perder nos penáltis porque é uma questão de sorte. Fizemos um caminho fantástico até aqui e é uma pena termos falhado o objetivo de chegar à final”.

Quim Machado lamentou o facto de a sua equipa não ter aproveitado as ocasiões que dispôs para fazer o segundo golo. “Depois do grande golo do Suk, o André Claro e o Vasco Costa tiveram boas oportunidades para fazermos o 2-0”, disse, lembrando a qualidade do Rio Ave. “Tivemos pela frente uma equipa de qualidade que luta pela Liga Europa”. Na opinião do técnico, “a expulsão de Rúben Semedo condicionou a sua equipa no prolongamento”.

Foco total no campeonato e no Tondela

Depois da eliminação na Taça de Portugal, ontem de manhã, no regresso ao trabalho, o semblante dos jogadores era de natural tristeza. Apesar da frustração de terem caído nas grandes penalidades, o treinador Quim Machado começou já a recuperar física e psicologicamente os jogadores para a próxima partida, domingo (16 horas(, no reduto do Tondela.

O defesa Nuno Pinto, que foi anteontem substituído ao intervalo devido a uma indisposição gástrica, integrou ontem de manhã a sessão de trabalho no Bonfim e é opção para o encontro de domingo. Os restantes titulares no jogo com o Rio Ave fizeram treino de recuperação. Em Tondela, o central Rúben Semedo, expulso com os vila-condenses, vai cumprir um jogo de castigo.