Novos caminhos para o reforço do compromisso assumido por Setúbal como cidade educadora, nomeadamente através do desenvolvimento do Projecto Educativo Local, foram debatidos na quarta-feira, ao longo do dia, na III Conferência Anual de Educação, realizada no Fórum Municipal Luísa Todi.

A reflexão e a partilha de experiências educativas com vista à melhoria do sistema de ensino no concelho foram destaques do encontro promovido pela Câmara Municipal e pelo Conselho Municipal de Educação de Setúbal, entidade da qual a Autarquia faz parte, com o tema “Cidade Educadora – Um Compromisso com Todos”.

As boas práticas de Setúbal na área da educação e cidadania são partilhadas na Associação Internacional das Cidades Educadoras, plataforma de aprendizagem da qual a cidade é membro desde 2012, juntamente com cerca de meio milhar de representantes dos cinco continentes.

“É nosso compromisso orientarmos e planearmos a ação de acordo com os princípios da Carta das Cidades Educadoras, nos quais acreditamos e que são a base na construção de uma cidade com todos e para todos”, salientou a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, na abertura da iniciativa para a autarca, a educação é “um caminho obrigatório para o sucesso e o desenvolvimento” não só individual mas também colectivo, pelo que “é necessário que cada um, na sua prática quotidiana, seja educador, em cada gesto, em cada palavra e em cada acção”.

Maria das Dores Meira destacou ainda que, “em matéria de educação formal”, a Câmara Municipal de Setúbal tem procurado, nos últimos anos, “aumentar a qualidade da oferta educativa do concelho”, seja com a construção e requalificação de equipamentos, seja com o apoio aos ensinos artístico, profissional, superior e sénior.

Na continuidade deste trabalho, a presidente da autarquia frisou “a necessidade de construção do Projecto Educativo Local”, um documento “orientador do rumo da educação no concelho” e para o qual é imperativo que haja “uma forte participação e intervenção de todos”.

O “Conceito de cidade educadora, hoje” foi reflectido por Joan Manel del Pozo, da Universidade de Girona, em Espanha, naquela que foi a primeira exposição do encontro, no qual marcaram presença perto de quatro centenas de pessoas, entre agentes educativos, técnicos municipais e representantes de forças de segurança.

Agentes educativos defendem Projecto Local.

“A educação tem de ser vista como a alma da construção humana e a cidade como o local privilegiado para essa criação”, destacou o investigador, para depois falar da génese do movimento das cidades educadoras, em 1990 no “I Congresso Internacional de Cidades Educadoras”, em Barcelona, Espanha.

Joan Manel del Pozo, ao defender que o compromisso de cidade educadora “é de todos e para todos”, sublinhou que “todos os indivíduos são simultaneamente educadores e educandos”. Seguiu-se uma intervenção com a temática “Projeto Educativo Local, um desafio para a cidade”, em formato de mesa redonda, com alocuções de participantes de várias esferas da vertente da educação, moderada pelo jornalista Raúl Tavares.

Isabel Vieira, da Universidade Católica de Lisboa, partilhou a visão de que “todos, sem exceção, devem ser educadores”, afirmando que a concretização desde objectivo assenta em três eixos prioritários de intervenção – habitação, valores e solidariedade – e reforçou que o Projecto Educativo Local “é uma oportunidade de organização em comunidade”.

Fernanda Oliveira, directora do Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama e membro do Conselho Municipal de Educação, apresentou o projeto educativo do agrupamento e falou sobre os contributos que este pode dar para a construção de um documento orientador comum.

Já Carla Diegues, da Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras, realçou a importância de construção do Projecto Educativo Local para a rede escolar do concelho. “É um desafio para os vários interlocutores, uma aposta comum e que pode potenciar a ação conjunta.”

O vereador com o pelouro da Educação na Câmara Municipal, Pedro Pina, afirmou que a III Conferência Anual de Educação de Setúbal materializa “o primeiro passo para a construção do Projecto Educativo Local, numa reflexão assente na premissa de um compromisso alargado a todos e para todos”.

Na parte da tarde, foi debatida “A escola e o projeto educativo local”. A mesa redonda, moderada por Luís Liberato, director do departamento de Cultura, Educação e Desporto da Autarquia, contou com as participações de Clara Félix, diretora do Agrupamento de Escolas de Azeitão, Iolanda Rodrigues, da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal, Helena Álvaro, da Escola Profissional de Setúbal, Joana Brocado, da Escola Superior de Educação de Setúbal, e José Carlos Morgado, da Universidade do Minho.