Responsável da empresa que lidera investimento de 250 milhões de euros, num resort com marina, hotéis, apartamentos e novas instalações para o Naval Setubalense, assume que integração do Casino de Tróia e do Troia Design Hotel faz parte do projecto turístico. Aliás, a empresa de Macau revela que o negócio passa por uma joint-venture com a portuguesa Amorim Turismo, até porque a licença de jogo do casino é condição essencial

 

 

Em entrevista ao DIÁRIO DA REGIÃO, feita por telefone uma hora depois da assinatura do memorando de entendimento com a Câmara Municipal de Setúbal, o administrador executivo da Macau Legend Development explica por que razão a empresa macaense se interessou pela península de Setúbal. Sheldon Trainor (à esquerda na fotografia), canadiano, diz que o projecto é uma oportunidade única para desenvolver um destino turístico integrado, entre Tróia e a cidade sadina.

O gestor revela que os 150 milhões de euros para a primeira parte do projecto serão financiados por capitais próprios da empresa promotora, em 50%, e a outra metade da verba através de financiamento bancário. Sheldon Trainor diz que as obras, em Setúbal, “talvez arranquem daqui a um ano”.

Como é que a Macau Legend descobriu Setúbal para fazer este investimento?

Nós estamos interessados em Setúbal. Fazemos muitos projectos por ano e gostamos de Setúbal por duas razões. A primeira, por considerarmos Setúbal uma cidade histórica e um sítio muito interessante, muito bom para o turismo, e por gostarmos do facto de Tróia estar muito próxima de Setúbal. Este projecto assenta em dois negócios: integrar a Oxy Capital e a Amorim Turismo, que detém o Tróia Casino e o Tróia Design Hotel, na nova empresa [uma joint-venture] e essa nova empresa desenvolve o projecto em Setúbal. Assim, é uma combinação entre Setúbal e Tróia, que é uma oportunidade única para desenvolver um destino turístico integrado. Temos a parte antiga da cidade de Setúbal e um ambiente exterior em Tróia com os campos de golfe e as praias. É uma combinação única.

Para construir este projecto em Setúbal, ligamos, essencialmente, Setúbal e Tróia num único resort.

Porquê investir em Setúbal em vez de outros locais em Portugal ou na Europa?

Esta é uma oportunidade única de combinar Tróia e Setúbal num único resort. Quando olhámos para a Europa, gostámos de Portugal – porque acreditamos que o turismo está a aumentar – e é um destino turístico muito bom. E Tróia e Setúbal são localizações únicas em Portugal e um destino muito bom. Também decidimos investir porque estarmos neste momento a desenvolver um projecto em Cabo Verde e por pensarmos que ter uma plataforma em Portugal permite-nos integrar a oferta turística em Portugal e em Cabo Verde. Estamos muito contentes com Setúbal como região. A presidente da Câmara de Setúbal e o Governo português têm sido muito colaborativos connosco e com o projecto.

Confirma o vosso interesse em participar no capital do Tróia Casino?

Parte do negócio implica que o dono do casino de Tróia integre o casino e a licença do casino na empresa que irá controlar o negócio. A Macau Legend vai investir no projecto em Setúbal tal como no Tróia Casino e vamos combinar esses dois projectos num só.

Como estão a correr as negociações com as empresas do casino de Tróia?

O casino de Tróia é detido pela Oxy Capital e pela Amorim Turismo [através de uma empresa conjunta designada Blue and Green]. Vamos fazer uma joint venture com a Amorim Turismo. [Segundo o comunicado divulgado entretanto pela Macau Legend, a maioria do capital [55%] da nova empresa a criar será do grupo macaense].

Como pretende financiar o investimento no empreendimento, especialmente os 150 milhões da primeira fase?

A primeira fase do investimento resultará de um investimento equitativo entre a Macau Legend e um banco, um empréstimo bancário, para a construção.

 

Como têm decorrido as conversações com o Governo português?

O Governo português tem dado muito apoio ao projecto e creio que está muito entusiasmado por ver uma empresa de Macau que está na indústria do turismo entrar em Portugal para fazer este tipo de investimento. Estamos muito satisfeitos, até agora, com as conversações com o Governo português.

Quando esperam começar as obras e inaugurar o resort?

Vamos levar cerca de um ano a obter todas as aprovações, licenças ambientais e outras… Talvez depois de um ano daremos início à construção, que, como é normal, deverá demorar alguns anos.