Na zona da Urbisado, em Setúbal, há dezenas de plátanos que, nesta altura do ano, e a todo o instante, largam quantidades enormes de sementes que “agravam os problemas de saúde” de muitos cidadãos, de acordo com quem sofre de alergias, e cobrem de “castanho” todo o espaço público e não só, moradores e lojistas daquela zona queixam-se de que “é impossível abrir portas e janelas porque todos aqueles materiais entram nas instalações”.

Sementes afligem população

A Rua Álvaro Perdigão, na Urbisado, é uma das mais afetadas. Nesta rua, há já vários moradores medicados para combater os problemas de alergias e os proprietários e funcionários de lojas, ali instaladas, mostram-se incomodados. “Para além dos problemas de saúde, há ainda a questão da limpeza urbana, uma vez que as ruas ficam completamente sujas, e também de limpeza doméstica, pois estes materiais entram nas casas. Os estabelecimentos comerciais que aqui estão têm de fazer várias limpezas por dia para manter a salubridade dentro das instalações”, afirma José Augusto, um dos moradores.

Visivelmente incomodado com toda esta situação, José Augusto afirma que “é possível fazer ações profundas de remodelação das espécies cultivadas” em várias artérias da cidade e aponta como solução a substituição destas árvores, plátanos, por outras espécies, tal como aconteceu, há alguns anos, noutras ruas do bairro do Urbisado. “Há cerca de dez anos todos os choupos que existiam em três pracetas da Urbisado foram abatidos e substituídos por outras árvores que não tinha o problema do chamado algodão, diferente destas sementes dos plátanos, mas que também incomodam a população”.

Uma opinião partilhada pela grande parte dos moradores e lojistas da zona que, apesar de lamentarem, pois os plátanos são “antigos, bonitos e dão ótimas sombras”, estão convictos de que a substituição das espécies seria a melhor solução. “Isto é aflitivo. Muito complicado e não só para quem tem problemas de saúde. Na semana passada era quase impossível respirar. Nós não podemos abrir as janelas e as portas porque a toda a hora temos as casas sujas”, diz Maria Manuela, proprietária de uma lavandaria ali situada.

Também a moradora Maria Cordeiro está a sofrer com a situação. “Tenho problemas respiratórios, até uso uma bomba. Tenho pieira, falta de ar, comichão nos olhos. Isto é terrível. Moro aqui num 5ºandar e não posso abrir as janelas. A minha varanda está coberta dessas sementes”. À porta e na entrada do café “Bruxa Cartuxa” são visíveis as sementes acastanhadas.

Por mais que tente, Alberto Alves, o proprietário, também ele com problemas de alergia, não consegue manter limpo espaço. “É muito complicado. As pessoas queixam-se muito e tenho sempre a loja suja”. Ao lado, no pronto-a-vestir Be2, também Lubélia Pacheco, apesar de não ter qualquer problema de saúde ao nível respiratório, sente-se incomodada. “Quando está vento isto é um caos. É aflitivo!”.

Segundo os moradores e lojistas, é com regularidade que os funcionários da autarquia efetuam a limpeza das ruas. Contudo, não conseguem dar vazão. “Eles limpam, mas passado pouco tempo está tudo na mesma”, afirma uma das moradoras.

A Agência Comboio das Palavras contactou a Câmara Municipal de Setúbal e, no que diz respeito à higiene urbana, fonte do Gabinete de Comunicação sublinhou que este ano verifica-se “um aumento anormal” da queda das sementes e que câmara está com “dificuldades momentâneas” para resolver o problema devido à “avaria de algumas varredoras”. No entanto, a mesma fonte, garante que a autarquia está a tentar resolver o problema “com a maior rapidez e eficácia”.

Quando à viabilidade da ação de substituição dos plátanos, a única sugestão apontada pelos moradores, até ao momento não foi possível obter qualquer resposta por parte da câmara municipal. Na zona do Montalvão, mais concretamente no Parque da Algodeia, mais conhecido pelo Jardim dos Arcos, há outro problema, não menos preocupante para a população, o chamado algodão dos choupos.

“Este jardim foi construído há poucos anos, com assessoria técnica por parte da câmara municipal, e foram ali cultivados dois choupos, um deles junto à estrada e em frente a uma escola”, refere José Augusto, o morador, e conhecedor daquele espaço verde da cidade. “Aquele choupo que, quando chega a esta altura do ano, deixa no chão um manto branco, provocando alergias graves, poderia simplesmente ser abatido”, frisa José Augusto, adiantando que “não colhe” a ideia da câmara de que não pode abater árvores.

“Aquela árvore não é determinante na estrutura do parque e nem sequer deveria ter sido plantada. Há outras espécies de árvores que dão sombra, com enquadramento ambiental adequado, e que não têm os problemas dos choupos. Isto é grave, porque obriga as pessoas a andarem medicadas desnecessariamente. Nesta perspetiva, Setúbal não é uma cidade saudável, lamenta José Augusto.