O secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Pereira Gonçalves, afirmou que “a capitalização das empresas é uma variável determinante” na aposta no investimento e competitividade. O governante participou, ontem, na abertura do seminário “Investimento & Competitividade”, que se realizou no BlueBiz Global Parques – Parque Empresarial da Península de Setúbal, em Setúbal, organizado pela aicep Global Parques, com o apoio do DIÁRIO DA REGIÃO.

Pedro Pereira Gonçalves lembrou que, depois de uma “primeira fase da legislatura dedicada à consolidação orçamental”, a “segunda fase da legislatura é a aposta no investimento e competitividade” e enumerou cinco áreas “onde o Governo já interveio e deve intervir mais”, sendo a primeira a capitalização das empresas. “É conhecida a falta de capital em Portugal. É fundamental Portugal e as empresas terem acesso a fundos de capital mais robustos, para financiar investimentos a longo prazo”, salientou. Neste âmbito, lembrou medidas do Governo PSD/CDS-PP, como a reforma do IRC ou a bonificação para a retenção de lucros e para o reinvestimento. As outras quatro áreas são a redução do endividamento das empresas, que “continua a ser excessivo”, o programa Portugal 2020, como “instrumento importante no apoio ao investimento”, a criação do novo Código Fiscal de Investimento, que “aumentou os incentivos fiscais a quem investe”, e os custos de contexto das empresas, referiu o secretário de Estado.

Pedro Pereira Gonçalves acredita que a utilização de parques já licenciados, como o BlueBiz, “também pode ser uma forma de ultrapassar alguns dos custos de contexto”. “Muitas vezes, queremos chegar ao objetivo pelo caminho mais difícil e não olhamos para estruturas como esta, que estão pré-licenciadas, têm infra-estruturas, têm autorizações ambientais. Muitas vezes, por não sabermos da sua existência e das suas valências, ou por querermos, do ponto de vista de algum individualismo, desenvolver o nosso próprio projeto de localização, não optamos por áreas como esta”, lamentou.

O presidente da comissão executiva da aicep Global Parques, Francisco Mendes Palma, realçou que a localização do BlueBiz “permite ter empresas na área industrial, dos serviços e da logística”. “Tudo faremos para que a nossa oferta seja competitiva”, garantiu. Francisco Mendes Palma referiu que a aicep Global Parques já se associou à AISET – Associação da Indústria da Península de Setúbal e estabeleceu um protocolo com a ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida, para promover a eficiência energética das instalações.

“É para as empresas que fizemos este seminário”, salientou, explicando que a primeira parte, com oradores de várias empresas já instaladas no parque e na região, pretende “mostrar porque é que a sua actividade corre bem aqui na Península e no BlueBiz” e o segundo painel, sobre apoios, vem lembrar que “a competitividade será maior quanto melhor funcionarem as parcerias entre as várias entidades”.

Empresas do parque partilharam experiências

Ao longo do primeiro painel do seminário, com o tema “Investimentos”, responsáveis de quatro empresas já instaladas no parque e na região partilharam as suas experiências com os presentes. Foi o caso de Armando Gomes, director-geral da Lauak (aeronáutica), primeira empresa a instalar-se no BlueBiz, em 2008, que falou também em representação da nova associação AISET. “A competitividade vem quando um parque como este passa a ser um cluster”, acredita, defendendo que “quantas mais empresas tivermos no parque, mais competitividade vamos ganhar”.

“Gostávamos de ter mais vizinhos. As condições estão todas criadas para o sucesso do parque”, corroborou Rui Rosa, director-geral da Vitas Portugal, empresa que opera nas áreas da higiene profissional, nutrição animal e vegetal. A empresa instalou-se no BlueBiz em 2009, motivada pela “centralidade, acessibilidades excelentes, proximidade ao Porto de Setúbal, infra-estruturas existentes, adaptabilidade do espaço e vontade conjunta de desenvolvimento”, explicou.

Para David Gomes, representante da Mectop – Metalomecânica de Precisão, também instalada no BlueBiz desde 2009, desenvolver actividade no parque é como “viver no campo a cinco minutos da cidade”. Na escolha do parque para instalar a Mectop pesaram factores como a “boa relação qualidade-preço”, a “centralidade em relação aos meios de transporte terrestres, aéreos e marítimos”, bem como “a matéria-prima que Setúbal oferece”, enumerou.

A par destas três empresas do parque, deu também o seu testemunho Paulo Iglésias, plaint manager da Visteon, empresa que produz painéis, sistemas áudio e sistemas de controlo de climatização para o sector automóvel, instalada em Palmela, que vai comemorar em 2016 os 25 anos da fábrica portuguesa.

Oportunidades do Portugal 2020 em destaque

A segunda parte do seminário foi dedicada ao tema “Apoios”. José Vital Morgado, administrador da aicep Portugal Global, e Miguel Cruz, presidente do IAPMEI, centraram as suas intervenções no Portugal 2020 e nas oportunidades que estes novos fundos comunitários podem trazer às empresas da região e do país. A aicep é o organismo que canaliza as candidaturas a estes fundos e José Vital Morgado acredita que “o Portugal 2020 é uma oportunidade única para dinamizar o investimento nacional e atrair mais investimento estrangeiro”. Também Miguel Cruz reconheceu as oportunidades que o Portugal 2020 pode trazer, mas deixou um alerta: “Em Portugal, as empresas têm uma dimensão inferior à média da União Europeia e isso é um problema na capacidade de acesso a financiamento”.

Pela importância da relação entre as empresas do BlueBiz e o Porto de Setúbal, Vítor Caldeirinha, presidente deste porto, foi outro dos oradores da segunda parte. Vítor Caldeirinha salientou que o Porto de Setúbal “não é só regional, é nacional e internacional”, estando localizado “junto a dois concelhos muito importantes em termos industriais e exportadores: Setúbal e Palmela”.

Importante é também a relação das empresas do parque e da região com o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS). “Queremos ser parceiros da região”, afirmou Pedro Dominguinhos, presidente do IPS. A título de exemplo, lembrou que, já em Outubro, vão ter início 16 cursos de Técnico Superior Profissional, uma formação intermédia de dois anos, “construída em estreita colaboração com as empresas”.

O encerramento do seminário coube à presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, que manifestou também, da parte do município, uma “postura pró-activa” em relação à atracção de investimento para o concelho. “O município quer continuar a ser um parceiro activo neste processo, na linha das boas práticas que se têm estabelecido com a administração do BlueBiz”, afirmou.