O Vitória entra hoje, a partir das 16 horas, no Estádio do Bonfim, em acção na Taça da Liga 2016/17. Apesar de antever dificuldades frente ao Santa Clara, 2.º classificado da II Liga, o treinador José Couceiro só pensa na passagem à fase seguinte da competição. “Preparámos o jogo como se fosse uma partida do campeonato. O nosso objectivo é passar à fase de grupos”, sublinhou o treinador, revelando que Trigueira e Mikel Agu regressam ao onze.

O Vitória estreia-se frente ao Santa Clara na Taça da Liga, competição que conquistou na primeira edição. O que espera deste jogo? 

O Vitória tem tradição nas taças e os seus adeptos gostam sempre que tenha bons desempenhos nessas provas. Vamos tentar chegar à fase de grupos, é esse o nosso objectivo. Vamos defrontar uma equipa que está ao nível da nossa e de outras que estão num patamar idêntico ao nosso na I Liga. Ao Santa Clara não afecta muito jogar durante a semana porque tem o hábito de o fazer. Para nós, será a primeira vez que vamos fazê-lo. Preparámos o jogo como se fosse uma partida do campeonato. Vamos fazer algumas alterações na equipa, mas vamos ter muita atenção porque sabemos que o Santa Clara é um adversário com valor e qualidade. Não foi por acaso que na Taça de Portugal eliminou o Rio Ave. Vamos ter um jogo difícil, mas o nosso objectivo é passar à fase de grupos.

Quais os pontos fortes do adversário que ocupa a 2.ª posição na II Liga? 

São muito organizados, apesar de já terem mudado duas vezes de treinador. Jogam bem pelos corredores e têm alas com soluções. É uma equipa interessante nas bolas paradas e forte nas transições. Gostam de ter a bola e vão tentar impor o seu estilo no Bonfim. Encaixam-se no nosso e são duas equipas que gostam de jogar. Tem de se proteger aqueles que jogam bem futebol. Não pode haver repreensão apenas à sétima ou oitava falta. Os critérios disciplinares têm de ser uniformes. O futebol não é feito para se andar a bater nos outros. Tem de se defender as equipas que querem jogar um futebol positivo. O Santa Clara encaixa nesse estilo.

Perante o facto de defrontar o FC Porto 72 horas depois, vai ter de fazer a gestão da equipa… 

Vou gerir, mas não só por essa razão. Há jogadores que merecem ter a oportunidade de jogar. Tenho um plantel equilibrado e há muita concorrência interna. Posso geri-lo pensando na recuperação e também nas expectativas que os jogadores têm. Há jogadores que têm poucos minutos e é importante que isso aconteça neste jogo contra o Santa Clara.

A eliminação do Rio Ave da Taça de Portugal é um alerta à sua equipa para o que o Santa Clara pode fazer? 

Claro. As taças têm características especiais. Este jogo é diferente da Taça de Portugal porque, depois de empatar nos 90 minutos, não há lugar a prolongamento e a decisão é encontrada nos penáltis. Se não tivermos a atitude certa e não formos uma equipa rigorosa, vamos ter muitos mais problemas. O jogo vai ter muitos momentos de equilíbrio. Recordo que o Santa Clara está nesta fase da prova porque eliminou, em Portimão, o Portimonense, que é líder da II Liga.

Já disse que vai fazer alterações no onze. Quantas? Vai mexer na baliza? 

É muito bom ter soluções e saber que ao existir um problema tenho alternativas. Vão haver alterações e isso não quer dizer que a equipa perca qualidade. Por exemplo, o Mikel Agu [jogador que está cedido pelo FC Porto e não pode defrontar o seu clube de origem no sábado] vai jogar e o Fábio Pacheco poderá descansar. Posso dizer que o Trigueira também vai jogar, mas isso não quer dizer que seja o guarda-redes das taças.

«Jejum com FC Porto? Em algum momento vai ser interrompido» 

Questionado sobre a recepção de sábado ao FC Porto, 72 horas depois do jogo com os açorianos, o técnico, que optou por não se alongar sobre a partida no campeonato, foi peremptório ao ser confrontado com o histórico de 27 derrotas consecutivas dos sadinos com os dragões. “Em algum momento vai ter de ser, mas não é o que me preocupa neste momento. Depois do Santa Clara, centramos atenções no Porto”.

O histórico entre Vitória e FC Porto é avassalador em favor do adversário. Entre jogos em casa e fora registam-se 27 derrotas em outros tantos jogos. Acredita que pode ser desta que o jejum é interrompido? 

Em algum momento vai ter de ser, mas não é o que me preocupa neste momento. A partir das 18h30 de amanhã [hoje], depois do Santa Clara, centramos atenções no FC Porto. Queremos estar na fase de grupos da Taça da Liga e é um jogo fundamental para nós. Não vamos dispersar atenções. O registo com as equipas grandes são sempre negativos para nós, principalmente, nos últimos anos. Como treinador do Vitória, só defrontei uma vez o FC Porto em Setúbal. Perdemos 1-0 em 2004.

O Vitória foi a única equipa que conseguiu roubar pontos ao Benfica neste campeonato [1-1 na Luz]. Pode servir de motivação para enfrentar o FC Porto? 

Os jogos têm histórias diferentes. Por exemplo, o Rio Ave ganhou 3-1 ao Sporting e depois perdeu com o Santa Clara, isso não significa que o Santa Clara seja mais forte que o Sporting. No jogo na Luz, o Vitória esteve muito bem e mereceu o resultado. Fez 14 faltas e não jogou com o autocarro. Depois disso já tivemos prestações piores e outras boas, como em Braga [derrota por 2-1]. Mas o que interessa agora é ganhar ao Santa Clara e passar à fase de grupos, depois pensaremos no FC Porto.

Ricardo Lopes Pereira