A CDU marcou a agenda política na área da saúde, no concelho do Montijo, mas não conseguiu fazer passar, na reunião pública do executivo municipal, a proposta apresentada de monitorização do protocolo entre a câmara e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que esteve na base da criação do Centro Hospitalar Barreiro Montijo. O documento foi chumbado, acabando por recolher apenas votação favorável dos proponentes, os vereadores Carlos Jorge de Almeida e Ana Baliza da CDU.

Saúde_MontijoSolicitar, no imediato, à ARSLVT uma reunião de trabalho para monitorização do protocolo, tendo em vista uma “eventual novação” do mesmo, ou seja, adaptá-lo à realidade atual para que a unidade hospitalar montijense possa corresponder às necessidades das populações, era o principal dos cinco pontos propostos no documento pela CDU. Outro dos pontos importantes visava solicitar à administração do Centro Hospitalar Barreiro Montijo “informação detalhada dos dados evolutivos” referentes à unidade de saúde montijense, número de camas e respetiva taxa de ocupação, atendimentos por dia no serviço de urgência, tempo de espera por graduação da Triagem de Manchester, número de recursos humanos e valências disponíveis, bem como o número de especialistas afetos a cada uma.

Não foi, porém, pelo teor dos pontos propostos que o documento foi chumbado, mas sim pelos considerandos que apresentava e que, de acordo com as bancadas socialista e social-democrata, constituíam “um ataque pessoal” à atual e anterior gestões camarárias. O Partido Socialista (PS), através do presidente da autarquia, Nuno Canta, ainda sugeriu à CDU a retirada da proposta, no sentido de poder ser trabalhado um documento conjunto, a apresentar posteriormente, de forma a existir “concertação” para “reforçar a posição negocial” da edilidade junto das entidades competentes, na defesa da unidade hospitalar.

A CDU, pela voz do vereador Carlos Jorge de Almeida, lembrou que o socialista poderia ter tomado essa atitude antes de ter agendado a proposta e que não o fez, desafiando Nuno Canta a votar favoravelmente o documento e a apresentar uma declaração de voto, na qual o socialista se demarcasse das críticas que lhe eram dirigidas. Gerado o impasse e depois de Nuno Canta ter lembrado que em nenhuma câmara é aprovada uma proposta com críticas ao próprio presidente da edilidade, o Partido Social-Democrata (PSD) também justificou o voto contra.

Pedro Vieira, vereador dos social-democratas, considerou que o documento representava “um ataque ideológico ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) e ao município”, acusando a CDU de não estar preocupada com o hospital do Montijo e de apenas ter o objectivo “obter unicamente ganhos políticos”.