O presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), Henrique Soares, considera que os resultados do XV Concurso de Vinhos da Península de Setúbal “são atestado do grau de maturidade que a região atingiu e da forma como os operadores económicos hoje o consideram”. “Consideram-no como mais uma forma de promover, acrescentar valor, localizar e diferenciar os seus vinhos. Doutra forma, seria difícil compreender como é que este ano temos quase 130 vinhos e estamos muito felizes por isso”, confessou.

Presidente da CVRPS

Apesar do sucesso dos vinhos da região, Henrique Soares lembrou que “o ano de 2014 não foi fácil”, tendo constituído para os produtores “mais um teste à capacidade de diversificar mercados e manter a competitividade”. Desde logo, realçou, devido aos “problemas que as economias angolana e brasileira atravessam”, a que se juntou “o mercado nacional, que está agora a voltar a reanimar”.

O presidente da CVRPS apontou estes dois fatores como “os grandes responsáveis pelo decréscimo na certificação e na faturação, que se cifrou, respetivamente, em 4,5 por cento e dois por cento, o que já não acontecia há mais de uma década”. Henrique Soares elogiou os produtores presentes por não se terem resignado a estas contingências, o que fez com que, em 2014, também tivesse havido “surpresas positivas”.

“Assistimos a um expressivo crescimento noutros mercados, cujo desempenho compensou, em larga medida, as dificuldades em Angola, no Brasil e em Portugal. Foram eles o Canadá, Estados Unidos, Noruega, Japão, China, México, São Tomé, Sérvia e Ucrânia”, referiu. Henrique Soares apontou ainda outro indicador positivo, a retoma verificada nos primeiros dois bimestres deste ano, com um crescimento de nove por cento, face ao período homólogo de 2014, o que deixa os responsáveis da CVRPS “esperançosos quanto ao balanço final deste ano”.

O presidente da CVRPS não tem dúvidas de que “o ano de 2014 foi o ano da região de Palmela, foi o seu melhor ano de sempre, pelo seu crescimento e afirmação comercial, também na exportação, e porque conseguiram fazê-lo sem recorrer a acréscimos de preço”. 2014 foi também o ano em que a CVRPS “mais investiu em promoção”, realçou.

Nos mercados externos, destacou a execução da candidatura “países terceiros”, com ações nos mercados de Angola, Brasil e China. Foram exemplos as Rondas Enogastronómicas dos Vinhos da Península de Setúbal ou a participação no Angola Wine Festival. “Após cinco anos de intenso crescimento, o ano de 2014 foi, de facto, um pequeno passo atrás. O patamar de certificação atingido nestes últimos cinco anos cifra-se já em mais de 70 por cento da produção da região a ser comercializada como vinhos de Denominação de Origem e Indicação Geográfica. Este patamar que atingimos vai fazer com que, doravante, seja muito mais difícil crescer”, reconheceu Henrique Soares.

Neste contexto, defendeu que “o grande desafio vai ser, por isso e cada vez mais, aumentar o preço médio de venda, por contrapartida do aumento da notoriedade e reconhecimento da região, não só enquanto região que produz vinho de grande relação qualidade-preço, mas como uma região de vinhos de muito boa qualidade, qualquer que seja o preço”.