João Monteiro, Presidente do Clube Olímpico do Montijo, aponta objectivos a médio e longo prazo

Empresa de capital árabe aposta no clube montijense para rentabilizar activos desportivos. O responsável máximo pelo clube revela os pormenores de uma parceria, que visa catapultar o Olímpico para o segundo patamar mais elevado do futebol nacional

O Olímpico estreia-se já este domingo na I Divisão do Campeonato Distrital, com o Vasco da Gama de Sines no Municipal da Liberdade, mas alicerçado num projecto das arábias. Como surgiu essa possibilidade?

O Olímpico foi contactado no final da época passada por uma empresa portuguesa, com capital saudita, que estava interessada em estabelecer com o clube uma parceria. Essa empresa andava à procura de um clube para fazer um investimento a nível desportivo, ou seja, colocarem ao serviço do clube alguns jogadores que a empresa agencia de forma a valorizar não só esses atletas como também aqueles que pertencem ao clube.

E essa parceria foi estabelecida nesses moldes?

Celebrámos um protocolo desportivo com a empresa nesse sentido. A empresa apenas é nossa parceira na gestão desportiva dos seniores. Quero com isto dizer que o clube não está refém de outra qualquer situação.

Quem estabeleceu os primeiros contactos nesse sentido?

Fomos contactados por esses investidores. Pedro Santos, presidente da Assembleia Geral, que está neste projecto comigo, trouxe esses investidores até nós. O José Rachão, como conhece essa mesma empresa, fruto do seu trajecto internacional como treinador, e como sócio do Olímpico, ajudou a situação a concretizar-se.

Qual é o tempo de duração desse protocolo?

Foi feito por seis anos, mas, durante esse período, é renovável após o final de cada época desportiva. Pode, por isso, ser denunciado por qualquer uma das partes ao fim de cada temporada.

Não existiu investimento financeiro da empresa no clube?

Não. O envolvimento é apenas em termos desportivos. O interesse da empresa é valorizar através do Olímpico os jogadores, para que estes possam ser posteriormente colocados noutros clubes, com retorno financeiro para a empresa, mas também com uma contrapartida para o clube. O Olímpico vai ganhar uma percentagem sobre futuras vendas dos passes dos atletas que pertencem à empresa, sendo que os jogadores que pertencem ao Olímpico, em caso de transferência, renderão ao clube um valor quatro vezes superior, com a empresa a encaixar também uma percentagem.

Já houve interesse da empresa em passar a representar algum dos jogadores do Olímpico?

Até ao momento três jogadores que transitaram da época passada já assinaram contrato com essa empresa, que irá fazer a gestão da carreira deles durante dois anos. Se vierem a ser colocados noutro ou noutros clubes, o Olímpico receberá uma contrapartida percentual da transferência. Em relação aos outros jogadores que o clube continua a suportar, em termos financeiros, se saírem para outro clube, a compensação ou percentagem para o Olímpico será maior.

Quantos jogadores foram colocados pela empresa no clube?

O plantel tem 25 jogadores mas não está ainda fechado, já que poderão entrar mais três ou quatro atletas. E não se pode dizer que esteja fechado porque até Janeiro pode dar-se o caso de saírem alguns elementos. A empresa representa no 11 atletas no total, seis jogadores brasileiros e cinco portugueses, sendo que três dos portugueses foram os que estavam no clube e que se vincularam à empresa. Transitaram da época passada 11 jogadores e dois juniores promovidos, sendo que o treinador de guarda-redes, Carlos Miguel, também foi inscrito como jogador. Além destes 13, o clube fez uma aquisição.

Quais são os objectivos desportivos?

A longo prazo, ou seja, em seis anos, o objectivo é tentar colocar o Olímpico na II Liga. A curto e médio prazo, pretendemos que o clube atinja a subida e se mantenha no Campeonato Nacional de Seniores, para depois pensarmos em atacar a promoção à II Liga. O objectivo para este ano é lutarmos por um dos três primeiros lugares da classificação e se as coisas se proporcionarem conseguirmos já a subida de divisão. Mas não é prioridade ter de subir já esta época. Por outro lado, vamos tentar este ano chegar à final e ganhar a Taça da Associação de Futebol de Setúbal, que é um troféu prestigiante e que dá acesso à participação na Taça de Portugal. Para já, nesta prova, passámos a fase de grupos, feito inédito na história do clube. Vamos disputar os oitavos de final a 24 de Fevereiro de 2017, com um adversário a definir pelo sorteio a realizar.

David Martins no comando técnico

A equipa técnica é orientada por David Martins, ex-Amora, que venceu a Taça da Associação de Futebol de Setúbal na última temporada, tendo conseguido a segunda posição no campeonato da 1.º Distrital. “Tem como adjuntos, Hugo Pacheco, que acumula o cargo de preparador físico, e Ricardo Fernandes, responsável ainda pela observação dos adversários. Carlos Miguel tem também dupla missão: treinador de guarda-redes e jogador”, frisa João Monteiro, sem esquecer “o massagista Pedro Marques e o técnico de equipamentos José Serrano” Carlos Lóia arrancou como treinador principal da equipa, mas, explica o presidente, a ligação acabou por terminar prematuramente “por mútuo acordo”. David Martins, que começou por ser o adjunto de Carlos Lóia, assumiu assim o cargo de técnico principal.