Social-democratas acusam socialistas de privilegiarem os “boys e os tachos” em detrimento da competência. PS diz que PSD quer proteger “teia de militantes e dirigentes” que “assumiram funções nas diferentes empresas públicas existentes no distrito

A alteração promovida pelo Governo socialista na administração do Porto de Sines motivou críticas duras da parte da Distrital de Setúbal do PSD. A reacção do PS também não se fez esperar. Está assim aberta a mais recente “guerra de tronos” entre PSD e PS.

Primeiro foi Bruno Vitorino, presidente da Distrital de Setúbal do PSD, a considerar, em comunicado, que o Governo está a prestar “um mau serviço à região, ao decidir substituir uma administração competente por boys do PS”. Ao mesmo tempo, o social-democrata defendeu que a última administração deu, nos últimos anos, “um contributo para que o Porto de Sines fosse um importante motor de desenvolvimento não só para o distrito como para o País”. E foi mais longe e incisivo nas críticas: “Esta é uma substituição forçada, ao estilo do quero, posso e mando. Mais uma vez, para o PS, a competência e os resultados não interessam nada. Primeiro estão os boys e os tachos, depois está o País.”

Depois foi a Federação Distrital de Setúbal do PS a retorquir na mesma moeda. “As declarações que o presidente da Distrital de Setúbal do PSD fez… a propósito de uma eventual substituição dos órgãos sociais da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A. (APS), além de marcarem um estilo pouco edificante de fazer política, têm apenas por objectivo procurar condicionar a actuação do Governo para, em nosso entender, proteger toda uma teia de militantes e dirigentes do PSD dos diversos concelhos do distrito de Setúbal que, ao longo dos últimos quatro anos, assumiram funções nas diferentes empresas públicas e órgãos da administração existentes no distrito de Setúbal”, atiraram os socialistas, defendendo que “a realidade dos factos mostra que o Porto de Sines avançou sempre que o PS esteve no Governo”.

Legitimidade política

A Federação socialista considerou ainda que “a seriedade política obrigaria o dirigente do PSD a lembrar que o presidente do actual conselho de administração da APS já exercia funções de administrador desde 2005, tendo sido designado durante a vigência de um Governo socialista”. Ao mesmo tempo questiona “a legitimidade política” de Bruno Vitorino para falar sobre o tema, já que isso “implicaria que primeiro explicasse a substituição de Lídia Sequeira, em 2013, pessoa que reconhecidamente marcou uma enorme transformação no Porto de Sines”. “Do PSD apenas conhecemos a paragem dos projectos de acessibilidade rodoviária e ferroviária ao Porto de Sines”, criticaram os socialistas a concluir.

Recorde-se que a administração cessante do Porto de Sines tem sido presidida por João Franco, sendo que José Luís Cacho, conforme avançou oportunamente o DIÁRIO DA REGIÃO, é o nome que se segue à frente dos destinos da infra-estrutura portuária.