A lista de candidatos do Partido Socialista (PS) pelo círculo eleitoral do distrito de Setúbal às próximas eleições legislativas foi aprovada na terça-feira à noite pela comissão política nacional do partido e inclui três independentes nos lugares indicados por António Costa.

As escolhas do secretário-geral são os independentes Paulo Trigo Pereira, professor catedrático no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e economista do grupo dos 12 de Mário Centeno que elaboraram as propostas macroeconómicas do PS, Inês Medeiros, actriz, também independente mas que já é deputada eleita pelo PS há vários anos, e Miguel Fortes, presidente da associação da comunidade cabo-verdiana do Seixal. O economista Trigo Pereira é o número quatro da lista por Setúbal, encabeçada por Ana Catarina Mendes, líder distrital, a actriz Inês Medeiros surge em 7.º lugar e o representante da sociedade civil do Seixal, Miguel Fortes, em 13.º.

Há quatro anos o PS elegeu cinco deputados pelo distrito e foi o partido mais votado, mas para as próximas legislativas a estrutura distrital tem a expetativa de conseguir chegar aos oito mandatos. O Partido Social Democrata (PSD) obteve também cinco mandatos, a Coligação Democrática Unitária (CDU) quatro, o Partido Popular (CDS-PP) dois e o Bloco de Esquerda (BE) um eleito. O número de mandatos pelo círculo de Setúbal aumenta de 17 para 18, devido ao crescimento do número de eleitores.

Antes mesmo de se conhecer em definitivo as escolhas, o PS Seixal mostrou-se indignado e aprovou por unanimidade uma moção em que lamenta a ausência de nomes da concelhia na lista de deputados dos socialistas pelo distrito de Setúbal, considerando a situação como uma “falta de respeito e uma afronta”. “O PS não se pode dar ao luxo de desmotivar ativa ou passivamente os militantes do concelho do Seixal, porquanto esta lista, felizmente ainda não fechada, à data da aprovação da moção, evidencia uma lacuna, a meu ver, de grande desrespeito, diria mesmo de afronta ao Seixal e aos seus militantes e órgãos estatuários. Refiro-me à ausência de nomes da concelhia do Seixal”, pode ler-se no documento apresentado pelo militante José Ramos.

A moção refere que para o PS ganhar as próximas legislativas com maioria absoluta é necessária “mobilização e o empenho” de todos, referindo que a decisão é um “desrespeito”. “Em termos eleitorais no distrito de Setúbal, o Seixal é o segundo ‘produtor’ de votos, um pouco atrás de Almada, concretamente 22.802 votos nas últimas legislativas a que corresponde uma fatia de 20 por cento dos votos socialistas no distrito”, sustenta a moção do eleito na assembleia municipal e membro da concelhia do Seixal. O PS Seixal lembrava então que a lista apresentada para o distrito tinha três lugares em aberto, a serem definidos pelo secretário-geral do PS, explicando que foram apresentados dois potenciais nomes para os lugares.

“Exorta-se o secretário-geral a repensar estratégias, a aplicar na prática o espírito de unidade entre os socialistas, conferindo ao Seixal o lugar do quarto deputado pelo distrito”, concluiu a moção, enviada ao secretário-geral António Costa, mas que acabou por não convencer totalmente o candidato a primeiro-ministro.