Mara Oliveira, 27 anos e natural de Palmela, é a primeira mulher faroleira residente exclusivamente num farol de Portugal continental e está desde o mês de Agosto com uma equipa de mais quatro faroleiros no Farol do Cabo de Santa Maria, na ilha da Culatra (núcleo do Farol), em Faro, no Algarve.

A faroleira contou ao jornal “Barlavento”, semanário regional do Algarve, que quando os colegas “perceberam que iam ter uma camarada mulher reagiram muito bem”, mostrando-se “mais tolerantes e pacientes”. Mara Oliveira sentiu, ainda assim, “uma responsabilidade acrescida por ser a primeira mulher” na função, disse àquele jornal.

Mara Oliveira foi militar da Marinha durante seis anos e no final do contrato foi incentivada por um camarada a “agarrar a oportunidade e integrar o curso para faroleiros”, que concluiu com sucesso após dez meses de formação na companhia de mais dez colegas. Depois, a faroleira estagiou na Direcção de Faróis, em Paço de Arcos, onde aprendeu tarefas de electricidade, electrónica, mecânica e meteorologia, até se mudar de malas e bagagens para o Farol do Cabo de Santa Maria.

Nas instalações do farol, Mara tem um horário que começa às 8h da manhã e se prolonga por 24 horas, sem pausas, durante o qual fica encarregue de verificar todas as condições eléctricas e electrónicas do farol, além de o ligar e desligar, explicou ao jornal “Barlavento”.

A palmelense de 27 anos acrescentou ainda que “conciliar a vida pessoal com a profissional não é fácil”, estando também o marido ao serviço de missões na Marinha Portuguesa. Mesmo à distância na ilha, contou Mara Oliveira, tem o apoio da família e a companhia de um gato de estimação. A “beleza da paisagem” do local é apontada como uma das vantagens de trabalhar como faroleira.