Marcelo Rebelo de Sousa esteve em visita à Escola de Fuzileiros

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que o processo de eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU mostra que “mesmo na comunidade internacional não há poderes ilimitados”.

“Na comunidade internacional este processo foi muito transparente e mostrou que mesmo na comunidade internacional todo o poder é limitado. Não há poderes ilimitados. Isso é positivo porque é um passo que se dá na democratização da vida internacional”, declarou.

O Presidente da República respondia aos jornalistas no final de uma visita à Escola de Fuzileiros, no Barreiro, após questionado sobre que ilações a Europa e a Alemanha deveriam retirar sobre a forma como decorreu o processo que culminou quarta-feira na indicação de António Guterres como favorito para secretário-geral da ONU pelo Conselho de Segurança.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o resultado da votação de quarta-feira no Conselho de Segurança “foi muito bom para Portugal”, para as Nações Unidas e para a Europa e considerou “menor o facto de haver quem não tenha percebido logo que era tão bom para a Europa”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que não foi uma surpresa “haver uma vitória tão clara” de António Guterres, destacando que quer os membros permanentes, quer os não permanentes sugeriram que se “queimasse etapas”.

“Todos os demais ficaram tão longe da votação do senhor engenheiro António Guterres que nem foi preciso haver desistências, ele acabou por se afirmar por si próprio”, disse.

Questionado sobre se este processo pode ser considerado um exemplo da “moralidade na política” a que aludiu no seu discurso na cerimónia do 05 de Outubro, Marcelo Rebelo de Sousa assentiu que “é um bom exemplo”.

“É um bom exemplo, nós estamos mais unidos do que o que parecemos. No essencial, quando toca a rebate, os portugueses estão unidos, foi sempre assim na história”, disse, acrescentando que o que é preciso é “passar este exemplo para muitos outros exemplos”.

A “devida homenagem” aos fuzileiros

O Presidente da República visitou a Escola de Fuzileiros para prestar a “devida homenagem” a uma força que deverá integrar, em breve, a missão da ONU na Colômbia, e cuja história é “altamente prestigiante” para Portugal.

Depois de visitar a Escola de Fuzileiros, situada em Vale de Zebro, Barreiro, Marcelo Rebelo de Sousa revelou que a reunião de ontem do Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) iria deliberar sobre a participação portuguesa na missão de monitorização dos acordos de paz entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

“É a devida homenagem aos fuzileiros que estão em formação permanente”, disse, adiantando que “está previsto, para além das intervenções em curso, que possam eventualmente vir intervir na Colômbia, dependendo não só da evolução da situação naquele país mas também de uma deliberação de hoje [ontem] do Conselho Superior de Defesa Nacional”.

“A sua presença na República Centro Africana e as missões cumpridas ao longo da sua história, nomeadamente nos últimos anos, são altamente prestigiantes para as Forças Armadas Portuguesas e para Portugal”, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa assistiu aos treinos dos militares em instrução numa pista de lodo, entrou numa aula sobre suporte básico de vida e ficou a conhecer os veículos terrestres e anfíbios, armas e outros equipamentos daquela unidade da Marinha.

Perante a descrição das missões e operações do Destacamento de Ações Especiais, uma unidade do corpo de fuzileiros que “está sempre em estado de prontidão”, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou o nível de “excecionalidade” daqueles militares, sobre os quais recai “uma grande responsabilidade”.

No Museu do Fuzileiro, Marcelo Rebelo de Sousa ficou a conhecer, pelo cabo fuzileiro Pinto, os marcos históricos da Marinha, desde a fundação do país à participação em batalhas ao longo dos séculos e na guerra do Ultramar, até às missões contemporâneas, destacando-se o combate à pirataria na costa da Somália.