João Franco, presidente da administração da infra-estutura portuária, admite interesse

 

A possibilidade de o Porto de Sines ser incluído na Rota da Seda do século XXI é vista com interesse pelo presidente da administração portuária, João Franco, que considera a China “um destino estruturante nas relações com o Oriente”.

A posição do presidente da Administração do Porto de Sines surge após o conselheiro de política externa do Governo chinês Lev Fengding se ter manifestado favorável à inclusão do porto alentejano na rota marítima da seda do século XXI proposta pela China.

“Concordo e estou perfeitamente alinhado com as declarações do senhor conselheiro Lev Fengding, um estudioso desta área, com grande conhecimento desta realidade e com uma visão global do comércio internacional”, disse ontem à agência Lusa o presidente da administração portuária. João Franco destacou ainda que o Porto de Sines, na costa ocidental de Portugal, tem todas as condições para operar as mercadorias que vêm da China, que é “um destino estruturante nas relações com o Oriente” em que está “muito interessado”.

“Ao incluir o Porto de Sines na Rota da Seda o conselheiro Lev Fengding exprime uma visão estratégica no que respeita à ligação do porto de Sines à China, que vem ao encontro da relação que temos vindo a trabalhar e a solidificar ao longo dos últimos anos”, afirmou o responsável.

Avançar com a ferrovia de ligação a Espanha

A hipótese também agrada ao presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, que lembra que “o interesse da China em Sines não é de agora”.

“Temos de saber aproveitar estas notícias e avançar com estes processos e avançar com a ferrovia de ligação a Espanha”, declarou o autarca. Nuno Mascarenhas disse acreditar que a inclusão na Rota da Seda implicaria “uma maior movimentação de carga, uma melhoria das condições que o porto oferece”, bem como “um aumento a “nível imobiliário na cidade”, além de “um reforço das relações comerciais com a China”.

Lev Fengding esteve em Lisboa na semana passada para apresentar a iniciativa “Uma Faixa e Uma Rota”, altura em que, em declarações à Lusa, disse, a propósito da Rota da Seda, considerar que “o Porto de Sines é importante para a ligação da China com a Europa e a África”.

A iniciativa “Uma Faixa e Uma Rota”, divulgada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, Pequim propõe um plano de infra-estruturas que pretende reactivar a antiga Rota da Seda entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático. Este plano, que inclui a construção de uma malha ferroviária de alta velocidade entre a China e a Europa, vai abranger 65 países e 4,4 mil milhões de pessoas, cerca de 60% da população mundial, segundo Pequim. Lev Fengding disse que a iniciativa já suscitou o interesse de mais de 70 países e organizações internacionais e que “mais de 30 países assinaram acordos de cooperação relevantes com a China”.