Às 8h58 de ontem, dois minutos antes da hora prevista, os jogadores e equipa técnica do Vitória entraram no Mercado do Livramento para visitarem um dos espaços mais emblemáticos da cidade de Setúbal. Durante os quase 40 minutos de duração da visita, a equipa distribuiu 500 bilhetes para a partida de sábado, 18 horas, no Bonfim, com o Nacional. Em troca receberam beijos, abraços e felicitações pela boa época que estão a realizar.

Onze meses depois, o clube repetiu a acção que tem como objectivo aproximar os profissionais da equipa de futebol da população. Durante o convívio não faltou boa disposição entre os comerciantes e clientes com os jogadores, que não tiveram mãos a medir para responder às solicitações de autógrafos e fotografias que registaram o momento para a posteridade.

Entre os jogadores mais requisitados estiveram o guarda-redes Diego e o avançado Meyong, que já são “homens da casa”, garantiu um vendedor de peixe, perante a curiosidade de alguns atletas que visitaram pela primeira vez o Mercado do Livramento, não escondendo a surpresa pela variedade de espécies existentes nas bancas. O camaronês Meyong lembrou a importância da realização da visita. “As pessoas visitam-nos no estádio e nós retribuímos ao visitá-las num sítio tão importante como este mercado”, sublinhou antes de equipa regressar ao Bonfim para realizar mais um treino sob o comando de Quim Machado.

«O carinho e a mística que encontrámos aqui são importantíssimos»

Guarda-redes Ricardo afirma que visita dá motivação extra à equipa

Coube ao guarda-redes Ricardo – um dos heróis da jornada anterior em Guimarães, cidade onde o Vitória segurou uma igualdade (2-2) a actuar mais de 20 minutos reduzida a nove elementos – ser o porta-voz da equipa no final da visita de ontem ao Mercado do Livramento. Natural da Póvoa de Varzim, o jogador revelou ser oriundo de uma família de pescadores e frisou a importância de a equipa se aproximar dos setubalenses. “Muitos destes jogadores não conhecem a história do Vitória e é importante interiorizarem que há pessoas que torcem muito pelos sucesso do clube”.

Já conhecia o Mercado do Livramento?

Não. É a primeira vez que aqui estou. A minha cidade, Póvoa de Varzim, também é uma terra piscatória. Os jogadores que chegaram há pouco tempo ao clube podem assim ter contacto com a mística do Vitória. Muitas das pessoas que aqui trabalham são adeptas do clube. Viemos apelar a que compareçam no estádio no sábado e nos ajudem no jogo com o Nacional.

Conhecia todos os peixes que viu aqui?

A maior parte deles sim. A minha família tem toda raízes piscatórias. O meu avô foi pescador mais de 40 anos. A minha terra também é de peixe.

Pode partilhar alguma das coisas que ouviu?

Houve pessoas que se dirigiram a mim para falar do último jogo [empate 2-2 em Guimarães] para sublinhar o esforço glorioso que fizemos, bem como a nossa dedicação e entrega em todos os jogos. Também mostraram estar muito satisfeitos com a época que estamos a realizar.

É o reconhecimento da época positiva que estão a fazer?

O nosso trabalho está à vista de todos. Temos feito um excelente campeonato e, como o mister Quim Machado já disse, muitas das nossas exibições não se têm traduzido nos pontos que merecíamos. Vamos continuar a trabalhar e a lutar para melhorar.

O carinho recebido serve de motivação para o que falta do campeonato?

O carinho e a mística que encontrámos aqui são importantíssimos. Muitos destes jogadores não conhecem a história do Vitória e é importante interiorizarem que há pessoas que torcem muito pelos sucesso do clube.

Ganhar ao Nacional para dar sapatada final na questão da permanência

É mais um estímulo para o jogo de sábado com o Nacional?

Sim, claro. É um jogo importante para nós porque podemos dar uma sapatada final na questão da permanência. Depois de atingirmos os nossos objectivos ficaremos muito mais tranquilos para lutar por outras metas.

O que espera do jogo com o Nacional?

Esperamos um jogo complicado. A segunda volta do campeonato é mais difícil do que a primeira. Os adversários já conhecem o real valor do Vitória e jogam no nosso estádio mais fechados e a apostar no contra-ataque. Estamos preparados para isso e cabe-nos a nós combater essas tácticas. Temos qualidade e podemos decidir os jogos a qualquer momento. Se mantivermos a a união e o mesmo espírito conseguiremos atingir o objectivo dos três pontos.

Três jogadores (Tiago Valente, Paulo Tavares e André Horta) estão impedidos de jogar devido a castigo. É um revés?

Não o vejo dessa forma. É uma oportunidade para quem vai entrar de mostrar o seu real valor. Temos um grupo muito competitivo. Há jogadores que estão a trabalhar no limite para ter a sua oportunidade. Quando a tiverem vão fazer tudo para a agarrar e ajudar o Vitória a atingir os objectivos.

Que mensagem quer deixar aos adeptos?

Continuem ao nosso lado a apoiar-nos. São importantes para nós e temos sentido bastante o apoio deles. Têm-nos ajudado bastante dentro do campo e são o nosso 12.º jogador ao galvanizar-nos para as vitórias.