PS diz que caiu o “mito da eficácia da gestão CDU” e vereador do PSD/CDS atribui culpa “exclusivamente” ao PCP. Dores Meira desdramatiza, garantindo que há “boa gestão”

A Câmara Municipal de Setúbal aprovou, na última reunião do executivo, um plano de saneamento financeiro que visa pagar as dívidas de curto prazo e regularizar os fundos financeiros e que passa por um empréstimo de 15 milhões de euros.

A proposta de início de um processo de saneamento financeiro, aprovada pela maioria CDU, mereceu o voto contra e fortes críticas dos partidos da oposição.

O PS afirmou que as contas municipais estão em “manifesto desequilíbrio” e que a CDU, “apesar de todos os esforços e sacrifícios” pedidos aos munícipes com o pagamento de “um dos IMI`s mais caros do pais, e brutais aumentos nas taxas e impostos municipais”, não foi “capaz de implementar uma gestão que conduzisse à redução da divida e à sustentabilidade financeira”.

Numa declaração de voto lida por Paulo Lopes, a bancada socialista, considerou que a necessidade de saneamento financeiro representa a “queda do mito” sobre a eficácia da gestão CDU.

“Passados 12 anos da implementação do Contrato de Reequilíbrio Financeiro assistimos aqui, hoje, a uma derrota politica estrondosa da CDU, que ao longo dos anos estruturou todo um discurso assente na divida herdada, e passados 3 mandatos encontra-se numa situação idêntica”, disse o vereador e líder do PS Setúbal, Paulo Lopes.

O vereador da coligação PSD/CDS-PP também atribuiu a necessidade de saneamento financeiro à “exclusiva responsabilidade do PCP”.

“Isto espelha o resultado de três mandatos. Em vez de estarmos a melhorar, estamos a hipotecar o nosso concelho”, disse Costa Ferreira.

Em respostas à oposição, a presidente da Câmara afirmou que a gestão PS, nos mandatos de Mata Cáceres, é que foi uma “catástrofe”, um “descalabro”.

“Nós pagámos 75 milhões de euros de divida que os senhores cá deixaram”, atirou Maria das Dores Meira, concluindo que, com o actual plano de saneamento financeiro, o município vai chegar ao final de 2016 com 5 milhões de divida de curto prazo e 45 milhões de médio e longo prazo.

“Isto é uma boa gestão. Com muito orgulho e com muito trabalhinho feito na rua”, disse Maria das Dores Meira, acrescentando que o seu executivo deixa “obra no valor de 250 milhões de euros no património municipal”.

O procedimento agora iniciado, que prevê que o município contraia um empréstimo de 15 milhões de euros, inteiramente destinado a pagamentos em atraso a fornecedores, vai ainda ser discutido e votado na Assembleia Municipal de Setúbal.