Carência de profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e assistentes operacionais), mau funcionamento do serviço de urgência e aumento dos tempos máximos de espera para a marcação de consultas e cirurgias. São estas as preocupações que levaram uma delegação do Partido Comunista Português (PCP), composta por Paula Santos, deputada do círculo eleitoral de Setúbal, João Armando, membro do executivo da direcção do partido, Anita Vilar e Antonieta Saragoça, elementos da comissão concelhia de Setúbal, a reunir-se com o conselho de administração do Hospital de São Bernardo na passada sexta-feira.

“Há muito que temos vindo a acompanhar a situação deste hospital no que respeita às preocupações em torno dos profissionais de saúde, porque efectivamente tem havido uma maior afluência no serviço de urgência. O recurso a empresas de trabalho temporário para a contratação de médicos é disso uma evidência”, justificou a deputada comunista. Paula Santos considerou que “estas preocupações têm razão de ser, porque existem inúmeras carências no hospital nas especialidades de otorrinolaringologia e oftalmologia, onde a lista de espera para consultas é maior que em dermatologia”.

Contudo, a situação das urgências não está apenas relacionada com a falta de profissionais, mas também com o facto dos cuidados de saúde primários não serem prestados de forma adequada aos doentes. Em muitos períodos do dia, o único serviço público aberto é a urgência, daí a sobrelotação dos centros hospitalares. “Nos concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela 75 mil utentes não têm médico de família”, destaca Paula Santos. Dado que o PCP é um dos partidos que suporta a maioria parlamentar de esquerda, a deputada adiantou ao DIÁRIO DA REGIÃO que já “questionou o actual Governo sobre a necessidade de um reforço do número de profissionais”.

Identificados os principais problemas, os comunistas garantiram que “vão continuar a intervir para que o Hospital de São Bernardo seja dotado dos meios necessários à prestação dos cuidados de saúde que a população tem direito”.

No final, seguiu-se uma reunião à porta fechada entre a delegação do PCP e os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sindicato dos Enfermeiros, com o objectivo de ouvir as queixas dos porta-vozes do sector.

Na fotografia: Antonieta Saragoça, Paula Santos, Anita Vilar e João Armando.