Concelhia comunista entra na polémica sobre a nova marina e afirma que socialistas estão a colocar em causa projecto da Macau Legend por razões eleitorais. Acusam a ministra do Mar de ajudar a arranjar um pretexto para atacar a gestão CDU

O PCP de Setúbal acusa o PS de querer “prejudicar” o investimento em setúbal, ao colocar em causa o projecto turístico da Macau Legend, que prevê uma marina e um resort integrado na zona ribeirinha da cidade.

Em comunicado enviado na sexta-feira ao DIÁRIO DA REGIÃO, a concelhia comunista manifesta “profunda preocupação com as sucessivas intervenções públicas de órgãos do PS sobre o investimento previsto para a frente ribeirinha setubalense” e acrescenta que os socialistas querem, “desta forma, uma vez mais, colocar em causa um investimento que poderá contribuir para a requalificação de parte fundamental da cidade e para a criação de mais emprego no concelho”.

“Parece claro que a única intenção é prejudicar um investimento que enriquece o concelho com objetivos que apenas podem estar relacionados com o período eleitoral autárquico que se avizinha. Depois de três anos em que o PS setubalense nada de positivo produziu para a cidade, quer agora encontrar, com a ajuda da ministra do Mar, um pretexto para atacar a gestão CDU.”, lê-se no documento da comissão concelhia do PCP.

Sobre a nova marina, que suscita as “maiores reservas” à ministra do Mar, por poder colocar em causa a navegabilidade do ‘Canal Norte’ de acesso ao Porto de Setúbal, os comunistas dizem que são afirmações “inaceitáveis” e lembram que a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) até já chegou a admitir a hipótese de desviar a via de passagem dos navios. O PCP afirma também que o PS tem acompanhado o processo.

“Têm sido desenvolvidos diversos contactos institucionais entre a Câmara Municipal de Setúbal, a APSS, o Governo português e o investidor [Macau Legend]. Convém salientar que a própria APSS assumiu, publicamente, em 2015, a possibilidade de fazer uma marina no local agora proposto, com as dimensões sugeridas pelos investidores interessados, colocando, expressamente a possibilidade de afastar mais para sul o canal actualmente existente para viabilizar este equipamento.”, escreve o PCP/Setúbal.

Sobre as declarações recentes dos lideres socialistas distrital e local, António Mendes e Paulo Lopes, respectivamente, o PCP diz ter de “questionar por que razão quer o PS arrastar um tema destes, na actual fase do processo, para o terreno da mera luta partidária”.

Para o partido comunista, o executivo municipal presidido por Maria das Dores Meira tem deixado bem claro que “aquilo que se conhece da proposta de investimento é ainda um plano preliminar conceptual que deverá ser adaptado às condições reais existentes, à avaliação das várias entidades envolvidas e à verificação da sua conformidade com os instrumentos de gestão do território em vigor, dos quais não abdica”.

Terminal de contentores do Barreiro por explicar

Os comunistas acusam também a ministra Ana Paula Vitorino de “vir insinuar” que o terminal de contentores que estava prevista para o Barreiro, pode vir, afinal, para Setúbal, e exigem uma clarificação do Governo sobre essa matéria.

“É imprescindível que o Governo clarifique, de uma vez por todas, quais são as suas intenções em relação a este terminal de contentores, abdicando de usar, irresponsavelmente, um investimento da maior importância para a economia nacional como arma de arremesso contra municípios geridos pela CDU”, atiram.

Recorde-se que a ministra do Mar disse, nas Jornadas Parlamentares Distritais do PS, há duas semanas, em Sesimbra, que tem “as maiores reservas” à nova marina de Setúbal e que “nunca se permitirá” que seja colocada em causa o acesso ao Porto de Setúbal. A governante revelou que o ‘Canal Norte’ vai ser dragado, para permitir a passagem de navios maiores, de calado médio.

Com este investimento, segundo Ana Paula Vitorino, o Porto de Setúbal passa a poder receber os contentores que são actualmente mercado do Terminal da Liscont, no Porto de Lisboa (ver DIÁRIO DA REGIÃO de dia 17).

A presidente da Câmara reagiu às declarações da ministra, e os dirigentes da concelhia e da distrital socialista de Setúbal responderam depois às declarações de Maria das Dores Meira (ver edições do DIÁRIO DA REGIÃO de 18 e 19 deste mês).

Face à polémica instalada, a Macau Legend já veio esclarecer que o investimento de 250 milhões de euros no complexo turístico em Setúbal não depende da marina.

Em comunicação enviada ao DIÁRIO DA REGIÃO, a empresa informou que o projecto “não se confina à marina”, que este equipamento não é “fundamental ou imprescindível”. Aliás, pelas declarações de Duarte Pinto Gonçalves, responsável da Macau Legend, percebe-se que o investidor chines faz depender o projecto de Setúbal mais da legislação sobre o sector do jogo do que da marina no rio Sado.

“Aguardamos para que, idealmente em breve, estejam reunidas as condições necessárias ao arranque formal do projecto, nomeadamente no que respeita à lei de jogo em Portugal”, disse Duarte Gonçalves em entrevista ao DIÁRIO DA REGIÃO de dia 20.