O terceiro dia de campanha trouxe Pedro Passos Coelho e Paulo Portas à região. Os líderes de PSD e CDS-PP, respectivamente, visitaram Barreiro e Montijo, terminando o dia com um jantar no Pavilhão do Clube Naval Setubalense. Acompanhados pelos candidatos pelo distrito de Setúbal da coligação Portugal à Frente – onde figurou a cabeça-de-lista pela região, Maria Luís Albuquerque –, visitaram, pela manhã, o território da Baía do Tejo, no Barreiro. A tarde ficou reservada para uma deslocação à empresa Raporal, em Montijo, e – já sem Portas – prosseguiu com uma acção de contacto directo com a população no centro da cidade montijense.

À chegada à Raporal, Passos felicitou os responsáveis pela empresa e elogiou de pronto: “Como é que encomendaram quatro mil animais para Israel?”

Soltaram-se sorrisos. “E outra carga está a caminho”, atalhou de imediato um dos quatro administradores da empresa que está posicionada em toda a fileira de carne de suíno e bovino, com Paulo Portas a sublinhar: “É muito importante arranjar mercado alternativo…”

Feitas as apresentações, a comitiva deslocou-se para o interior das instalações, onde mais de 20 funcionários iam desmanchando carne animal, em série. Passos e Portas, equipados a rigor, entravam agora na área de operações. Ambos esfregavam as mãos. A temperatura era ali bem mais baixa que os resultados das projecções das sondagens publicadas neste mesmo dia na Comunicação Social. “Oito, oito”, respondeu Portas, evasivo, contornando a questão com uma simples referência aos graus que se faziam sentir naquele espaço.

Passos saiu pouco depois e desabafou: “Ah, aqui está quentinho!”

Bem mais quente foi também o social-democrata na comparação entre a temperatura sentida e as projecções que ontem davam a coligação à frente do PS. “Sabe, aproveitei e passei pela sala das máquinas onde pude aquecer as orelhas. Não foi preciso ver as sondagens”, atirou.

Duas mesas repletas com produtos da empresa – da marca STEC –, sumos e até bifanas, aguardavam a comitiva. Passos pediu uma. “São pequenas…”, preveniram-no, ao que o social-democrata retorquiu: “Não, eu tiro meia”. Mas antes deixou um alerta. “Sabem que eu gosto das bifanas sem mostarda. Ah têm manteiga? Pumba!” exclamou, antes de trincar com afinco .

Por esta altura, Portas preparava-se para falar aos jornalistas e pedia: “Uma aguinha, uma aguinha.” Refrescou a garganta para avançar com críticas contundentes dirigidas ao líder do PS, António Costa. “Assusta tanta impreparação e inconsistência, porque continua por explicar quem irá sofrer com o corte de 1.020 milhões de euros nas prestações sociais”, disparou, acusando o socialista de não saber como explicar o corte.

“Estou convencido de que… vamos poder atrair investimento para esta região”

Já sem Portas, a caravana da coligação seguiu depois rumo ao centro da cidade do Montijo. O azul e o laranja “entrelaçados” no branco de inúmeras bandeiras erguidas ao alto coloriam o céu, junto à farmácia do Montepio, na rua Almirante Cândido dos Reis, também conhecida localmente como rua direita. Mais de uma centena ao rubro aguardava pela chegada de Passos. “Portugal, Portugal, Portugal”, ouviu-se, então, gritar em uníssono – sinal de que Passos Coelho acabara de chegar.

Num clima apoteótico, típico de campanha eleitoral, o social-democrata foi rapidamente engolido pelos apoiantes. Ao lado da deputada Mercês Borges, que jogava em casa (leia-se, na terra onde reside), e rodeado pelo corpo de seguranças, Passos lá conseguiu estabelecer os primeiros contactos com a população no estabelecimento Face Burger. E foi bem recebido. Beijos, apertos de mão, palavras de incentivo e de fé em nova vitória. Registou com agrado. Depois veio de lá um forte abraço. “Como é que está a campanha? Está óptima? Ainda vai melhorar. Vamos ganhar”, assegurou, confiante, o líder dos social-democratas ao apoiante que o recebeu de braços abertos. Poucos metros mais à frente, à porta da Drogaria Moderna foi surpreendido por uma senhora de pouco mais de meia-idade. “Vamos vencer”, afirmou, aguerrida, para Passos responder: “Temos de fazer por isso.”

O ânimo subia em flecha, à medida que comitiva avançava pela rua. E ouvia-se um novo coro: “Passos em frente, tens aqui a tua gente.” Ele já não tinha mãos a medir e o corpo de seguranças via-se numa roda-viva para conseguir abrir caminho, rumo ao estabelecimento Mimosa. Aí dentro, com Mercês Borges e Maria Luís Albuquerque, Passos voltou a sentir caloroso apoio e respondeu: “Estou convencido de que nestes anos poderemos fazer aqui um clique, desde que o País tenha estabilidade, para atrair mais investimento para esta região.”

Andou cerca de dois metros e recebeu novo elogio, desta feita de uma jovem que se apresentou como desempregada e que não só lhe manifestou acérrimo apoio como ainda lhe enalteceu o charme. “Já agora, é muito elegante”, disse a jovem a Passos, que lhe retribuiu o piropo e a cumprimentou com dois beijos. Depois, tomou café. E seguiria o seu rumo. Para a noite estava agendado jantar no Clube Naval Setubalense.

Sim ao terminal no Barreiro… “Portela +1” pode aguardar

Mas o dia começou logo pela manhã, no Barreiro, com uma visita ao território da Baía do Tejo. Aí, Passos, também acompanhado por Portas, afirmou que apoia o projecto do novo terminal de contentores no Barreiro, salientado que a infra-estrutura deverá ser efectuada sem recursos a investimento público.

A comitiva foi recebida pelo presidente da Baía do Tejo, Jacinto Pereira, e efectuou uma visita ao Museu Industrial da Baía do Tejo e ao local para onde está prevista a instalação do novo terminal de contentores. “O Governo não diz que vai fazer investimento público. Daremos todo o apoio a um investimento privado que possa ocorrer e ele ocorrerá se os estudos mostrarem que é rentável e se justifica. Não temos hoje dificuldade em canalizar capacidade de investimento para Portugal”, admitiu.

O social-democrata assegurou ainda que quer aproveitar o aeroporto de Lisboa “tanto quanto puder ser aproveitado”, não descartando, “num futuro mais alargado”, uma infra-estrutura aeroportuária na margem sul do Tejo. “Parece-nos importante aproveitar o investimento da Portela tanto quanto ele puder ser aproveitado”, frisou, quando questionado acerca do projecto “Portela + 1”, que terá como localização a Base Aérea do Montijo.

O social-democrata assegurou ainda que quer aproveitar o aeroporto de Lisboa “tanto quanto puder ser aproveitado”, não descartando, “num futuro mais alargado”, uma nova infra-estrutura aeroportuária na margem sul do Tejo, como esteve prevista para o Campo de Tiro de Alcochete.

“Ela está, em termos estratégicos, descrita e prevista, mas não creio que nesta altura seja necessário acelerar nenhum preparativo, na medida em que esta opção de ‘Portela + 1’ dará perfeitamente durante vários anos, pelo menos até aos próximos seis ou sete anos, para podermos utilizar as infra-estruturas que temos”, frisou. A solução “Portela + 1” envolve a Base Aérea n.º 6 do Montijo, que servirá de aeroporto complementar à Portela.