Francisco Alves Rito Director do DIÁRIO DA REGIÃO

Francisco Alves Rito
Director do DIÁRIO DA REGIÃO

É com enorme satisfação que vejo alguns sinais de que este tema pode vir a entrar na agenda política. Seria bom para todos nós que os nossos autarcas adoptassem esta causa

A Câmara Municipal de Chaves vai pedir ao Governo a separação da Região Norte da Área Metropolitana do Porto, por considerar que as verbas dos fundos comunitários são “canibalizadas” pela região mais rica, em prejuízo da mais pobre (ver noticia nesta página).

Esta situação é idêntica – não completamente igual, mas de efeitos substantivos similares – à que se passa na nossa região. A Península de Setúbal, com índices de desenvolvimento e riqueza inferiores aos de Lisboa, é objectivamente prejudicada no acesso aos fundos comunitários por estar integrada na Região de Lisboa e Vale do Tejo (a mais rica de todo o país).

Há anos que venho dizendo isto, em artigos e noutras intervenções públicas. Por exemplo, há exactamente um ano, em Julho de 2015, escrevi o seguinte:

“Alguém nos tira da maldita Área Metropolitana de Lisboa?

Incluir a península de Setúbal na região de Lisboa é um erro histórico. O drama é que os nossos autarcas não percebem isso, ou fingem não perceber. O trágico é a Regionalização seguir por estas linhas tortas

Não é a primeira vez (e certamente não será a última) que escrevo contra a ideia – e a prática – de incluir a nossa península de Setúbal na ‘vala comum’ da Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde somos secundarizados, esquecidos e objectivamente prejudicados pela inflação de indicadores que nos atribuem metade do frango inteiro que Lisboa come e arrota sozinha.

Correndo o risco de estar a pregar no deserto, não posso deixar de voltar à vaca fria, depois do que ouvi da boca de António Costa. Disse-me o líder do PS, em entrevista que o DIÁRIO DA REGIÃO publicou na segunda-feira passada, que nunca ouviu qualquer autarca do nosso distrito queixar-se de a península de Setúbal estar incluída na Área Metropolitana de Lisboa (AML).”

É por isso com enorme satisfação que vejo, ultimamente, alguns sinais de que o tema pode vir a entrar na agenda política. Já ouvimos na nossa região quem puxe por esta causa (veja noticia nesta página) e temos agora o caso de Chaves.

A iniciativa dos órgão autárquicos de Chaves são um bom exemplo que pode vir a constituir o precedente que faltava. Os nossos autarcas deviam por os olhos neste caso.

Movimento “Pensar Setúbal” também defende separação da Área Metropolitana de Lisboa 

O Movimento “Pensar Setúbal”, liderado por Fidélio Guerreiro, defende a criação de uma nova Operação Integrada de Desenvolvimento (OID) para a Península de Setúbal, à semelhança da aplicada nos anos 80, assente na separação da região face à Área Metropolitana de Lisboa.
Para o autor do movimento, ex-líder da Aerset – Associação Empresarial da Região de Setúbal, a inclusão da Península de Setúbal na Região de Lisboa tem servido para “mascarar” a crise e o desemprego que afectam a região, pelo facto de os “dados oficiais do rendimento per-capita” serem “alavancados pelos altos rendimentos de Lisboa”, além de impedir a captação dos financiamentos comunitários necessários.

O Movimento “Pensar Setúbal” propõe, assim, uma nova OID para a região, no sentido de captar novos investimentos públicos e privados, tirando também partido dos recursos naturais da Arrábida, Estuário do Tejo e frente atlântica em matéria de economia e turismo. O líder do Movimento já avançou que tem um pacote de medidas para discutir com os agentes políticos locais e para apresentar ao governo.