A Navaltagus, uma empresa do Gupo ETE, avançou no Seixal para a construção de um novo rebocador-empurrador, num investimento de cerca de dois milhões de euros, que pode operar no rio Tejo desde Lisboa à Valada do Ribatejo.

A embarcação ‘Baía do Seixal’, que será lançado à água no dia 29 de junho, entrará ao serviço da Empresa de Tráfego e Estiva, que tem mais de dois milhões de toneladas movimentadas anualmente.

“Tínhamos o sonho de construir embarcações para nós ou para terceiros. Surgiu esta oportunidade de construir o rebocador e não a quisemos deixar fugir. Acreditámos na nossa engenharia e a nossa capacidade de fazer, espero aproveitar e dar mais trabalho a este Porto Lisboa e esta actividade de construção naval”, disse Luís Figueiredo, administrador do Grupo ETE.

O responsável referiu que no auge da crise se registou uma redução das exportações via fluvial e que houve material que foi enviado para a Colômbia.

“Tínhamos equipamento parado e surgiu a oportunidade de deslocar material para a Colômbia, porque aqui não tinha utilização. Com esta retoma que agora se regista, começou a haver novamente actividade de transporte fluvial das fábricas de cimento na zona de Alhandra e sentimos necessidade de equipar a empresa e avançamos para esta nova embarcação”, afirmou.

Esta embarcação assinala ainda um momento importante, pois desde 1990 que não se construíam rebocadores no estuário do Tejo, apresentando características únicas que contribuem para aumentar o valor económico do rio Tejo, ao tornarem esta via navegável de Lisboa até Valada do Tejo.

“Acredito que o transporte fluvial tem futuro, até em termos ambientais é uma solução ganhadora, pois as emissões poluentes são 10% do transporte rodoviário. Com esta nova embarcação conseguimos chegar a todos os pontos do rio Tejo até Santarém, porque a embarcação tem um calado baixo, de 2,30 metros”, explicou o responsável.

A embarcação, que é fruto de um projecto inovador e português, está neste momento a ser terminada na empresa Navaltagus, no Seixal, faltando alguns acabamentos e os necessários equipamentos.

O ‘Baía do Seixal’ tem um comprimento de 16,50 metros, com uma largura de 8,80 metros, apresentando características que lhe permitem operar também em outros rios portugueses, como o caso do Douro.

O Grupo ETE está também a apostar num projecto, em conjunto com parceiros locais, de construção de um cais fluvial em Castanheira do Ribatejo, que pode receber mercadorias com destino ao Porto de Lisboa, cujo estudo de impacte ambiental se encontra desde Março em fase de apreciação pela APA – Agência Portuguesa do Ambiente.

Joaquim Santos, presidente da Câmara do Seixal, mostrou-se feliz por uma empresa do concelho estar a investir e anunciou que vai ser celebrado um protocolo com diferentes entidades para se estudar a criação de um porto de recreio no Seixal.