Os corpos sociais da Misericórdia de Palmela estão preocupados com a falta de jovens que possam prosseguir a missão da instituição

Os membros da nova mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Palmela tomaram posse no sábado, dia em que a instituição assinalou o seu 487.º aniversário, com um almoço no Lar de São Pedro, que reuniu cerca de uma centena de pessoas, em representação de várias entidades locais.

Francisco Cardoso, que se mantém como provedor da Misericórdia de Palmela, explicou que foi necessário “realizar eleições intercalares para a mesa administrativa” e aproveitou a ocasião para “agradecer a colaboração dos que saíram e a confiança daqueles que entraram porque quiseram trabalhar com a Misericórdia e estar disponíveis”.

O presidente da assembleia-geral da Misericórdia, Alberto Trovão do Rosário, recordou que, na assembleia-geral realizada há poucos dias para a eleição dos membros da nova mesa administrativa, “tudo correu muitíssimo bem”, mas mostrou-se preocupado com “o escalão etário dos participantes”, já que “muitos dos irmãos tinham bem acima dos 80 anos e um ou outro ultrapassava os 90”. “Temos a responsabilidade não só de trabalhar hoje, mas também para o amanhã. As misericórdias não podem ser ilhas nas suas terras. Têm de responsabilizar quem tem a responsabilidade de dizer aos mais jovens o que nós fazemos, porquê, quais são as nossas causas, porque a juventude é generosa e é capaz de nos entender. É preciso que falemos com eles, que amanhã aqui estejam, em cerimónias como esta, muitos jovens, que estão prontos a pegar no testemunho e a seguir esta nossa tarefa e missão”, apelou.

A intervir na cerimónia em representação do Secretariado Regional de Setúbal da União das Misericórdias Portuguesas, Joaquim Barbosa elogiou o trabalho de Francisco Cardoso enquanto presidente do Secretariado, afirmando que “tem mobilizado os provedores numa perspectiva de grande unidade e solidariedade”. No último ano, lembrou, foi possível “tratar de dois problemas muito difíceis”: a questão das reposições à Segurança Social, com o secretário de Estado a entender dar razão às misericórdias, e a elaboração dos compromissos das misericórdias, um “trabalho que obrigou a muita dedicação”.

“Misericórdias podem dar ainda mais às comunidades”

Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de Palmela, felicitou a Misericórdia por este “novo ciclo”, com uma “equipa reforçada com novos irmãos”, e realçou o papel da instituição pelas respostas sociais que disponibiliza, pela sua “dimensão económica” enquanto entidade empregadora no concelho e também por ser um “membro activo” da Rede Social. O presidente aproveitou a ocasião para lançar um desafio: “as misericórdias, pelo conjunto das respostas que já têm e da experiência dos seus trabalhadores, são um sector a aproveitar, no sentido de se criar mecanismos de contratualização de respostas que o Estado possa ter dificuldade em dar em determinados territórios e aproveitar este recurso, que pode dar ainda mais às nossas comunidades, se lhes forem dadas as condições para tal”.

“487 anos a fazer solidariedade é muito importante nos dias de hoje”, elogiou ainda o presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Fernando Baião. O autarca considera que esta casa “é um marco em Palmela, na região e a nível nacional”.