Depois de Pires de Lima ter anunciado que o novo terminal na Base Aérea n.º 6 estaria em funcionamento em 2018 ou 2019, o presidente da ANA Aeroportos veio agora dizer que há muito por definir e que nada está ainda garantido
A questão em torno da implantação de um terminal aeroportuário complementar à Portela na Base Aérea n.º 6, em Montijo, não é tido ainda como dado adquirido, ao contrário do que foi feito crer durante a campanha para as últimas legislativas.
Pelo menos, a avaliar pelas declarações do presidente da ANA Aeroportos, Ponce de Leão, que, nesta segunda-feira, afirmou que nada está, de facto, definido. Isto, não obstante o responsável ter admitido que o memorando de entendimento com o Governo está firmado.
Ao mesmo tempo, porém, salientou que nada está planeado para que se inicie os trabalhos de implementação do terminal para companhias “low-cost” em Montijo.
Uma versão que, em certa medida, contraria, recorde-se, aquilo que o ministro António Pires de Lima assumiu publicamente durante o período de campanha eleitoral.
“A extensão do aeroporto da Portela ao Montijo vai ser uma realidade. A partir de 2018/2019, a Base Aérea n.º 6 (BA6) já poderá ser utilizada como complemento da Portela”, disse então Pires de Lima, em declarações ao Diário da Região adiantando que “o investimento será todo privado”.
“O facto de se assinar o memorando entre as câmaras de Montijo e Lisboa, a Força Aérea, a ANA Aeroportos e o Governo depois do dia 4 de Outubro [dia das eleições legislativas], para mim, não é nenhum problema. É-me indiferente assinar antes ou depois de 4 de Outubro”, acrescentou, então, o governante.
Ora, Ponce de Leão, nesta última segunda-feira, refreou o ímpeto de Pires de Lima.
“Há tanto trabalho a fazer que ninguém pense que há respostas definitivas”, alertou o presidente da ANA Aeroportos, à margem do 27.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, em Évora, noticiou ontem o Jornal de Negócios. De acordo com o mesmo periódico, Ponce de Leão deu como exemplo de “incógnitas” ainda por solucionar o “regime de taxas, dimensão e tipo de terminal ou fases de desenvolvimento do mesmo”, admitindo, todavia, que existe “um entendimento consensual de que o Montijo é a melhor opção”.
“Dito isto, agora vamos fazer o resto do trabalho. Não estamos fora do prazo. Estamos ainda com tempo”, concluiu, em declarações ao Jornal de Negócios.
Em vésperas das legislativas, na deslocação ao Montijo, Pires de Lima considerou a localização em Montijo como “um benefício enorme para a Área Metropolitana de Lisboa” e que a estrutura aeroportuária seria para durar, no mínimo, cinco dezenas de anos.
“Estamos a falar de 48 movimentos por hora na Portela, a que se somarão mais 24 no Montijo, o que significa um horizonte de vida para esta estrutura [Portela + Montijo] de, pelo menos, 50 anos, ou seja até ao fim desta concessão”, assegurou.
Paralelamente, o governante apontou a importância da racionalidade em termos de custos. É que as estimativas, então de acordo com o governante, sugerem um investimento de “algumas centenas de milhões de euros”  cerca de 700 milhões, verba “substancialmente inferior à de 3 ou 4 mil milhões que se tinha anunciado, primeiro com a OTA e depois com o Campo de Tiro de Alcochete”.
Além disso, Pires de Lima atirou a terminar: “Vamos estar em condições de exigir que as taxas aeroportuárias em Lisboa sejam iguais ou inferiores às que se praticam hoje em dia”.