O navio-escola “Sagres” da Marinha Portuguesa foi uma das principais atracções da Semana do Mar – Setúbal 2016 que terminou ontem, após uma semana de muitas actividades sobre a ligação da cidade ao mar. Ao longo de dois dias foram milhares os visitantes que quiseram conhecer o emblemático navio, apontado como um “momento alto” do programa municipal.

O vereador Carlos Rabaçal considerou a presença do navio-escola “Sagres” um dos “momentos altos” da iniciativa, “visto que o navio-escola é um ícone de Portugal e um elemento central da Semana do Mar”. “O próprio comandante e toda a tripulação têm um carinho especial por vir a Setúbal e sabem da importância da Semana do Mar, não só para Setúbal como para o resto do país”, disse o vereador aos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada a bordo do “Sagres” na noite de quinta-feira.

O navio acostou no Cais 2, perto da lota de Setúbal, ao final da tarde e após os trabalhos de logística e ornamentação do navio teve lugar uma recepção de honra com a presença de António Manuel Gonçalves, comandante do navio, e dos representantes das diferentes instituições organizadoras da Semana do Mar 2016.

“Para a Marinha Portuguesa e para o navio-escola Sagres e a sua guarnição, é sempre um prazer enorme estar em Setúbal. É um porto onde somos sempre bem acolhidos e onde sentimos que a presença do “Sagres” é uma mais-valia para a Semana do Mar”, contou o comandante António Manuel Gonçalves, satisfeito com a presença em Setúbal já pela terceira vez.

A primeira noite do navio no Cais 2 motivou também uma visita guiada à embarcação e um momento de degustação de diferentes pratos com cavala, confeccionados por uma chef a bordo da reputada cozinha do navio-escola.

Desenvolver o cluster do mar

A Semana do Mar foi organizada pela autarquia e pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), integrando este ano o programa de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016. Nas palavras do vereador Carlos Rabaçal, tratou-se de um reforço da “afirmação de Setúbal com o mar e da percepção das pessoas da importância das actividades marítimas”.

Daí que a autarquia olhe para o “cluster do mar como um elemento central de desenvolvimento, não só no turismo, mas também no desporto”, tirando partido das potencialidades do património natural da baía e da Serra da Arrábida e apostando nas actividades económicas ligadas ao mar.

“É uma ideia com um acolhimento muito significativo por parte dos nossos parceiros e tem sido um êxito muito relevante”, considerou o vereador.

Além do navio-escola “Sagres”, também o navio Creoula e a caravela Vera Cruz estiveram no Cais 2, atraindo público à iniciativa Veleiros ao Luar, com comida de rua e animação musical à noite. O programa incluiu um seminário internacional, um encontro com o kitesurfer Franscico Lufinha, a apresentação de uma aplicação da Protecção Civil de Setúbal e vários workshops. Os setubalenses puderam ainda fazer baptismos de mar a bordo de uma lancha de fiscalização rápida da Marinha e visitar as embarcações tradicionais Zé Mário, Hiate de Setúbal e Maravilha do Sado.

No sábado, realizou-se a Regata Dia Mundial do Mar e no domingo um desfile náutico de partida das embarcações Sagres, Creoula e Vera Cruz, a encerrar a Semana do Mar – Setúbal 2016.

De navio-escola alemão aos Jogos Olímpicos 2016

O navio-escola “Sagres” pertence à Marinha Portuguesa desde 1962, mas a sua história começou em 1937, quando foi construído pela marinha alemã como navio-escola à vela. Depois de ter sido usado na Guerra, foi apreendido pelos aliados juntamente com mais três navios gémeos e entregue ao Brasil em 1945, onde recebeu o nome de Guanabara. Nesse ano, Portugal comprou-o para substituir o navio-escola que tinha à época, de nome “Sagres”.

Hoje, a emblemática embarcação mantém a sua configuração exterior original e toda a parte de aparelho e manobra. O navio tem três rodas de leme manuais, 23 velas e uma guarnição de 128 homens que chega aos 190 quando os cadetes da Escola Naval partem em viagem por três meses. A mais recente participação do “Sagres” foi como casa de Portugal nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, pela primeira vez na história, fruto de um protocolo entre o Comité Olímpico de Portugal e a Marinha.

Fotografia de JL Andrade