Tinha 92 anos e foi um dos principais dinamizadores das festividades de maior tradição na cidade montijense. Funeral juntou centenas de pessoas

Morreu, aos 92 anos, uma das figuras mais notáveis do Montijo. Emídio Tobias faleceu no passado domingo, deixando um legado que orgulha a comunidade que sempre tão bem soube representar e engradecer. O último adeus ao montijense teve ontem lugar, com a realização do funeral no cemitério de São Sebastião, em Montijo, juntando centenas de pessoas, entre os quais vários autarcas do concelho.

Emídio Tobias destacou-se em várias facetas, desde logo pela capacidade autodidacta que lhe permitiu, bem cedo, conquistar estatuto elevado numa profissão que até então era dificilmente adoptada pelo sexo masculino, conforme o próprio confidenciou em entrevista concedida ao “Citadino”, boletim institucional da Junta da União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro, na edição de Setembro de 2015. Aos 13 anos, em Aldeia Galega, quando ainda trabalhava na empresa de camionagem do pai, Emídio Tobias já recebia as suas vizinhas a pedirem-lhe que desse “um jeitinho no cabelo para irem ao bailarico”.

“Aos 23 anos comecei a pensar que tinha de ganhar a minha independência. Fui a Lisboa ver material de cabeleireiro, vim para casa e comecei logo a trabalhar. Até faziam fila à porta. Vinham senhoras do Montijo e dos arredores, incluindo Setúbal. Não havia nenhum homem cabeleireiro no distrito”, recordou, então, ao “Citadino” Emídio Tobias, que se notabilizou também como manequim e decorador. Desfilou em Paris, Londres, Itália, Holanda, tendo representado, em Portugal, marcas como Yves Saint Laurent ou Christian Dior. Enquanto decorador, realizou trabalhos por todo o País.

Paralelamente, deixou a sua marca em várias das celebrações de maior tradição realizadas em Montijo, pois foi um dos principais impulsionadores e dinamizadores dessas festividades na cidade. “O que fiz, as Festas de São Pedro, o Natal, o Carnaval foi com muito gosto e carinho pela minha terra e pelos montijenses. Gostava que alguém tivesse dado continuidade”, salientou na mesma entrevista, ao mesmo tempo que acrescentou: “Devemos ter consciência que os anos vão vindo, as faculdades vão faltando e eu tirei muito proveito do que vivi. Gostei e tive orgulho em tudo o que fiz.”

Nasceu a 18 de Agosto de 1923 e partiu a 14 de Fevereiro de 2016, depois de ter deixado contributo notável para o engrandecimento da sua terra de sempre – Montijo.