Socialistas consideram que CDU e GM aprovaram um “orçamento de ocasião”, refém apenas de oportunidades de financiamento comunitário

Os vereadores do PS votaram contra as Grandes Opções do Plano e o Orçamento Municipal de Grândola para 2017, justificando que a gestão camarária (CDU e GM) “voltou a apresentar uma proposta desprovida de objectivos de desenvolvimento para o concelho”.

Os socialistas, na declaração de voto apresentada, acusaram a maioria com responsabilidades executivas – que fez passar o orçamento no valor de 21,5 milhões de euros, conforme noticiou o DIÁRIO DA REGIÃO na edição da passada sexta-feira – de ter “uma proposta exclusivamente dependente de oportunidades de financiamento comunitário, sem qualquer ligação a uma linha de pensamento e acção estratégicos”.

As críticas da vereação do PS foram ainda mais longe, sublinhando “a inexistência de planeamento e prospectiva no âmbito do exercício do mandato”, o que, vincam os socialistas, “é reforçado pelo tempo e pelas oportunidades perdidas nos últimos três anos, durante os quais este executivo apenas contribuiu para a desestruturação da actividade municipal”. Em causa, defende o PS, “estão as intenções de lançar um conjunto de obras e acções, depois de, nos últimos três anos, o município ter paralisado, para prejuízo de todos e do futuro” do concelho.

Ocasião em vez de oportunidade

“Este é um orçamento que deveria ser de oportunidades, que poderia reflectir o novo paradigma que se vive no País e que poderia criar novas oportunidades ao Poder Local. Por impulso e decisão do Governo, os municípios terão um aumento de quase 3% nas transferências do Orçamento do Estado ao mesmo tempo que estamos a devolver o que lhes foi retirado em autonomia e capacidade de intervenção”, apontam os socialistas, para acentuarem o desacordo com os documentos previsionais aprovados. “Mas o que lemos no documento apresentado é que este é um orçamento ao acaso, sem qualquer estrutura ou enquadramento: prevêem-se investimentos porque existe financiamento (!). O exercício seria simples: primeiro uma estratégia e depois colocar os fundos ao serviço dessa estratégia”, disparam.

A concluir, os vereadores do PS reforçam que este “não é um orçamento de oportunidade”, mas é sim “um orçamento de ocasião”. “E lamentamos isso, bem como a falta de discurso para os investidores, para o turismo, para o sector agro-florestal ou para todas as restantes áreas de desenvolvimento do território”, rematam.