Alargamento do metro ao Montijo foi votado favoravelmente por unanimidade na Assembleia da República em 12 de Novembro de 1997. Maria Amélia Antunes era então deputada parlamentar

A ligação do Metro Sul do Tejo até ao Montijo é, afinal, uma questão que já não é nova. Tem quase duas décadas, desmistificou na sessão da Assembleia Municipal do Montijo, na última sexta-feira, a presidente deste órgão, Maria Amélia Antunes. Isto, depois de a hipótese do alargamento dessa ligação ter sido aflorada em duas reuniões de câmara anteriores.

Primeiro foi Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo, a informar o executivo municipal que, em reunião mantida com o ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, havia sido discutida a possibilidade de estender a ligação do Metro Sul do Tejo até Montijo, caso o novo aeroporto complementar à Portela venha a localizar-se na Base Aérea n.º 6. Depois foi o vereador da CDU, Carlos Jorge de Almeida, em reunião posterior do executivo camarário, a apresentar uma declaração política – cáustica para o presidente socialista da autarquia –, na qual questionou: “Alguém escreveu que voltou a estar em cima da mesa o projecto, ‘com barbas’, do Metro Ligeiro Sul do Tejo, iniciado em 2005?”

A questão foi levantada de novo pela CDU (e também pela bancada do PSD) na sexta-feira passada, na sessão da Assembleia Municipal, com o deputado comunista Avelino Antunes a interpelar o presidente da Câmara. Após troca de argumentos, acabou por ser a presidente da Assembleia Municipal, Maria Amélia Antunes, a esclarecer a situação, “puxando” da Acta n.º 2 referente à 1.ª sessão ordinária realizada naquele órgão a 27 de Fevereiro de… 1998, para lembrar que o assunto até já havia sido debatido neste órgão deliberativo do município. Mais: o alargamento do Metro Sul do Tejo ao Montijo passou, inclusive, pelo parlamento, tendo sido votado favoravelmente, por unanimidade, numa altura em que Maria Amélia Antunes era também deputada à Assembleia da República.

Acta esclarecedora

A acta de 27 de Fevereiro de 1998 da Assembleia Municipal do Montijo não deixa, de resto, dúvidas, já que uma das várias questões apresentadas pelo deputado municipal eleito pelo PSD Torres Pereira à então recém-eleita presidente da Câmara, Maria Amélia Antunes, é esclarecedora. “Em 12 de Novembro [de 1997], com o voto favorável da então deputada Dr.ª Maria Amélia Antunes, foi aprovada na Assembleia da República, por unanimidade, uma proposta de alteração à Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 1998 que alarga ao concelho do Montijo a rede de metropolitano da Margem Sul do Tejo, inicialmente prevista apenas para os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro e Moita. Que iniciativas foram tomadas junto do Governo para concretizar aquela deliberação no mais curto espaço de tempo possível?”, questionou então Torres Pereira, conforme se pode ler na referida acta. O mesmo documento reflecte também a resposta de Maria Amélia Antunes que considerou a introdução do metro de superfície até ao Montijo como “estruturante” e que a seu tempo seria “alvo dos necessários estudos”.