João Afonso (PSD) renunciou ao cargo de deputado da Assembleia Municipal do Montijo, na passada terça-feira, 8, depois de já ter suspendido o mandato a 27 de Abril último. O social-democrata, que também havia abdicado da qualidade de líder da bancada do partido laranja, na mesma data em que suspendeu o mandato, será sucedido por Filipa Mota. Esta é a segunda baixa na bancada do PSD, já que poucos dias depois de João Afonso ter pedido a suspensão de mandato, Luís Luizi, eleito como independente, também renunciou ao cargo de deputado municipal.

Na missiva enviada à presidente da Assembleia Municipal, Maria Amélia Antunes, a solicitar a renúncia ao cargo, João Afonso deixa vários agradecimentos e elogios.

“Agradeço ao órgão Mesa, na pessoa da Sra. presidente da Assembleia Municipal, Dra. Maria Amélia Antunes, todo o apoio e colaboração institucional prestado ao longo deste mandato. Agradeço a todos os elementos do PPD/PSD o empenho, amizade e solidariedade prestada no exercício da liderança da bancada. Neste ponto, não poderei deixar de realçar o prazer e felicidade que tive em trabalhar com o professor Luís Luizi, cidadão humanista absolutamente empenhado no bem comum”, diz o social-democrata, no documento a que o Diário da Região teve acesso, acrescentando: “Agradeço e realço a excelente relação de cooperação mantida com os restantes líderes de bancada do Partido Socialista, Coligação Democrática Unitária e Bloco de Esquerda.”

O ex-líder da bancada do PSD manifesta o desejo de que os membros da Assembleia Municipal “sejam capazes de defender políticas, projectos, condutas e comportamentos que respeitem a história da terra, valorizem cultural e civicamente os concidadãos e contribuam para a felicidade individual e colectiva de todos”. O exercício de cargos públicos “no interesse de poucos com prejuízo de quase todos agudizará o descrédito dos partidos e a final do sistema democrático”, alerta, antes de concluir a missiva com um repto, citando Eça de Queirós.

“O desafio será ultrapassar a seguinte advertência fatídica: ‘Ordinariamente, todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém são nulos a resolver crises. Não têm austeridade, nem concepção, nem instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempos em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política do compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência? (Eça de Queirós. “O Distrito de Évora’, 1867).”