Comício de encerramento da 40.ª Festa do “Avante!”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que existe um “um Governo minoritário do PS, com o seu próprio programa”, ao qual cabe “rejeitar esse pérfido plano”, assente em “chantagens” da Europa e de PSD/CDS-PP sobre o orçamento do Estado de 2017.

“O atual quadro político traduziu-se não na formação de um Governo de esquerda, mas sim na formação e entrada em funções de um Governo minoritário do PS, com o seu próprio programa”, disse Jerónimo de Sousa, no encerramento da 40.ª Festa do “Avante!”, destacando que a nova “relação de forças” no parlamento permite ao PCP e ao PEV condicionar decisões e ser “determinantes e indispensáveis à reposição e conquista de direitos”.

Numa tarde de intenso calor, foram muitos os milhares que resistiram a um sol inquisidor para assistir no centro do recinto do Palco 25 de Abril ao comício de encerramento, com o líder do PCP a discursar durante mais de 45 minutos, acusando o PSD/CDS-PP de uma “campanha revanchista”, aliados às exigências das instituições europeias.

“(Eventuais sanções) Elas estão aí presentes, agora concentradas nas pressões e chantagem sobre o orçamento do Estado de 2017 para tentar esmagar a esperança aberta de que é possível sermos donos dos nossos destinos, decidir de forma soberana do progresso social do nosso posso e do desenvolvimento do nosso país. E é exatamente por essa razão que o Governo tem de rejeitar esse pérfido plano”, defendeu.

Apesar de salientar que a nova solução política “não substitui a necessária e cabal resposta a muitos e graves problemas” de “anos e anos de política de direita”, Jerónimo de Sousa considerou que o atual acordo governativo “permitiu travar e inverter no imediato o curso de uma ofensiva brutal e responder, ainda que de forma limitada, a problemas prementes de trabalhadores e povo”.

O líder do PCP elencou depois as diversas conquistas: “reposição de salários e 35 horas semanais na administração pública”, “eliminação da sobretaxa de IRS”, “reposição de feriados roubados”, “reversão da privatização de empresas públicas de transportes”, “aumento do salário mínimo”, entre muitas outras.

Perspetivando a discussão do próximo Orçamento do Estado, o líder comunista também aflorou algumas “bandeiras”: “luta contra a precariedade” laboral, descongelamento das carreiras na administração pública, aumento de salários, “designadamente o salário mínimo para 600 euros a partir do início do ano”, “aumento efetivo das reformas e pensões” – nunca inferior a 10 euros por mês – além da melhoria, em geral, dos serviços públicos de saúde e ensino, entre outras.

PCP solidário com bombeiros

O secretário-geral do PCP manifestou-se também solidário com o povo e bombeiros portugueses devido ao flagelo dos fogos, bem como às populações de Brasil, Venezuela e Cuba por razões políticas.

“Manifestamos, mais uma vez, a solidariedade do PCP para com as populações atingidas e o nosso apreço pelo incansável trabalho dos nossos bombeiros e reafirmamos que o PCP não se cansará de tomar iniciativas que se impõem para assegurar, a par da ajuda imediata às populações, a exigência de outra política agrícola e de defesa da floresta”, disse Jerónimo de Sousa.

Segundo o líder comunista, “os trágicos fogos florestais deste verão são bem exemplo de anos de incúria e de uma política de desinvestimento, desastre e abandono dos setores produtivos, de ausência de uma política de desenvolvimento da agricultura e ordenamento florestal, de destruição da agricultura familiar, de abandono do desenvolvimento do mundo rural e do interior”.

Focando a atualidade internacional, o líder comunista clamou existir alternativa que “reside na luta dos muitos milhões que por esse mundo travam com coragem e determinação os duros combates da luta de classes que se agudiza”.