Ligação de comboio chega a Espanha em 2019 e a Lisboa em 2021, revelou secretário de Estado dos Transportes. Capacidade do terminal XXI aumenta 47 por cento de 1,7 para 2,5 milhões de TEUS até final de 2015.

Visita de Passos Coelho ao porto de SinesO terminal de contentores do porto de Sines vai aumentar a capacidade de movimentação em 47 por cento, dos atuais 1,7 milhões de TEUS, medida padrão equivalente a um contentor com 20 pés de comprimento, para 2,5 milhões, até ao final deste ano. O investimento, de 40 milhões de euros, anunciado ontem em Sines, numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, prevê a criação de 100 postos de trabalho e vai ser integralmente suportado pela PSA, a empresa estatal de Singapura, concessionária do terminal XXI.

Esta nova expansão do terminal de contentores não implica a extensão do período de concessão à PSA, que termina em 2029, e é já, segundo o secretário de Estado dos Transportes, a “entrada na terceira fase” de alargamento do terminal XXI, que está a ser negociada entre o Governo e a empresa concessionária há quase três anos. “Nós já estamos na fase três, mesmo chamando-lhe fase 2+”, afirmou Sérgio Monteiro, acrescentando que a negociação com a PSA continua, uma vez que “os portos que crescem estão sempre em negociação com os concessionários”.

O governante reconhece a urgência do alargamento do porto de Sines e sublinha que o problema da capacidade do terminal de contentores fica resolvido para os dois anos seguintes. “Se não tivéssemos hoje este acordo, no final do ano o porto estava esgotado”, porque “espera-se que em 2015 o porto de Sines movimente cerca de 1,6 milhões de contentores”, explica Sérgio Monteiro, considerando que com o aumento da capacidade no final de 2015 para 2,5 milhões de TEUS, o terminal está a “projetar os próximos dois ou três anos de capacidade” e “continuaremos a fazer a negociação de maneira que à medida que o interesse de clientes do porto cresce, haja resposta por parte do Governo e dos privados sem um euro de dinheiro dos contribuintes”.

Para Pedro Passos Coelho, o porto de Sines está preparado para “competir globalmente ao nível de todos os outros portos europeus e também na península Ibérica”. O governante realçou igualmente o investimento da PSA Sines em inovação e novas tecnologias, com o desenvolvimento de novos sistemas que, em breve vão poder ser aplicados noutros portos a nível mundial geridos pela PSA International, com sede em Singapura.

“Isso deixa a Portugal a sensação de estar”, de alguma forma, “na vanguarda destas alterações e destas modificações que têm vindo a ser introduzidas na administração portuária”, realçou o primeiro-ministro. O cais do terminal XXI tem, atualmente, 940 metros de comprimento, nove guindastes e 35 hectares de zona de parqueamento de contentores, o que lhe confere uma capacidade de movimentação de 1,7 milhões de TEU por ano.

Para o presidente da Administração do Porto de Sines (APS), João Franco, a Fase 2+ de expansão demonstra o “empenho do Governo no crescimento” do terminal XXI e a “confiança” da PSA Sines na “competitividade” do porto do litoral alentejano.

Sobre a ligação ferroviária de Sines, o secretário de Estado do Transportes afirmou que a ligação até à fronteira com Espanha vai estar concluída em 2019 e a ligação a Lisboa, para servir o porto de Lisboa, vai ficar pronta até 2021.“Não fomos capazes de iniciar o trabalho em 2014”, porque “não havia fundos europeus disponíveis”, disse Sérgio Monteiro, garantindo que a obra de construção da nova ferrovia arranca ainda este ano.

“A candidatura está feita, estamos a contar que seja aprovada por Bruxelas em julho deste ano” e, se assim for, “todos os trabalhos preparatórios vão ter lugar a seguir para que a obra se inicie ainda durante o ano de 2015”, disse.“Nós até já temos os fundos do orçamento de Estado, que nos próximos anos vão ser alocados a estes projetos. Temos a planificação técnica e financeira feita”, acrescentou.

A ligação Lisboa, Sines e Caia, que segundo Sérgio Monteiro vai “custar cerca de 600 milhões de euros” insere-se num plano nacional que pretende eletrificar toda a rede ferroviária e ter “ligações a Madrid em bitola europeia, para baixar a fatura do transporte em cerca de 40 por cento”.

O Governo está “muito confortável com a solução técnica” que encontrou ao dispensar a alta velocidade em Portugal. Comentando a proposta do secretário-geral do Partido Socialista (PS) para uma ligação ferroviária a Badajoz, o responsável pela pasta dos Transportes recordou que “o governo anterior defendia-a numa versão mais cara, em alta velocidade” para considerar “provado que a mercadoria não precisa de circular em alta velocidade, precisa de circular em bitola europeia a tempo e horas e chegar na data prevista”.